Outubro Rosa: MPF promove debate sobre saúde da mulher na Paraíba

28/10/2026 às 18:300 visualizações
Ministerio Publico Federal

O Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba realizou, na terça-feira (27), a roda de conversa “Saúde da Mulher”, com foco na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de mama. A atividade ocorreu na Sala de Convivência da sede do órgão, em João Pessoa, e integrou a programação do Outubro Rosa. O encontro reuniu servidoras, trabalhadoras terceirizadas, estagiárias e convidadas para um momento de informação, acolhimento e troca de experiências sobre a saúde feminina.

A programação contou com médicas, psicóloga e esportista, que abordaram desde os cuidados com as mamas até questões relacionadas à saúde mental, à sexualidade, à autoestima e à prática de atividades físicas. Um dos principais objetivos foi ampliar o acesso a informações confiáveis sobre a doença e incentivar as mulheres a buscar acompanhamento médico regular.

Na abertura do encontro, a procuradora-chefe do MPF na Paraíba, Janaina Andrade, destacou que a informação é fundamental para superar barreiras que ainda dificultam o acesso das mulheres aos serviços de saúde. Ela também chamou a atenção para as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o triênio 2026–2028, que apontam cerca de 78 mil novos casos de câncer de mama no Brasil, dos quais aproximadamente 1.600 na Paraíba.

Diagnóstico precoce salva vidas – As médicas mastologistas Lakymê Mangueira e Tarciane Campos destacaram que identificar o câncer de mama em estágios iniciais aumenta as chances de cura e pode permitir tratamentos menos agressivos. As especialistas ressaltaram a importância do acompanhamento médico regular, da realização dos exames indicados e da atenção às alterações nas mamas.

Estima-se que o câncer de mama provoque cerca de 694 mil mortes por ano em todo o mundo. Durante a atividade, Tarciane Campos destacou estudos que apontam uma redução de aproximadamente 30% na mortalidade pela doença associada ao rastreamento por mamografia, em determinadas populações e condições. A partir desse percentual, uma estimativa simplificada apresentada na discussão sugere que cerca de 200 mil mortes poderiam ser evitadas anualmente em escala mundial. O número não uma projeção epidemiológica validada, mas ajuda a dimensionar a importância do diagnóstico precoce.

Para Tarciane Campos, a informação é uma das principais ferramentas para ampliar o acesso à prevenção e ao diagnóstico. “Cada um dos que estão aqui são multiplicadores dessa informação”, afirmou. Segundo a médica, compartilhar conhecimento contribui para que mais mulheres reconheçam a importância dos exames e procurem atendimento em tempo oportuno.

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Por  sua vez, Lakymê Mangueira também ressaltou o papel das instituições públicas na disseminação de informações corretas e na defesa dos direitos das pacientes. Para a médica, iniciativas como a promovida pelo MPF contribuem para ampliar a conscientização e fortalecer a cobrança por serviços de saúde acessíveis e de qualidade.

Mamografia e sinais de alerta – Durante o encontro, as especialistas destacaram a mamografia como principal exame de imagem utilizado no rastreamento do câncer de mama. Desde 2025, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento mamográfico para mulheres de 40 a 74 anos, no âmbito do SUS. Mulheres com risco elevado para a doença podem necessitar de acompanhamento individualizado, com início dos exames em idade mais precoce, conforme avaliação médica.

As profissionais ainda esclareceram que conhecer o próprio corpo e observar possíveis alterações nas mamas são atitudes importantes, mas não substituem os exames de rastreamento. O autoexame, isoladamente, não é considerado método eficaz de rastreamento do câncer de mama.

Entre os principais sinais de alerta estão o surgimento de nódulos nas mamas ou axilas, alterações no formato ou na pele das mamas, retração do mamilo e saída espontânea de secreção, especialmente quando contém sangue. Embora nem toda alteração indique câncer, qualquer sinal suspeito deve ser avaliado por um profissional de saúde.

Direito ao tratamento pelo SUS – Além da importância do diagnóstico precoce, o encontro reforçou a necessidade de garantir às pacientes acesso oportuno ao tratamento. A Lei nº 12.732/2012, conhecida como Lei dos 60 Dias, assegura às pessoas diagnosticadas com câncer o direito de iniciar o primeiro tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em até 60 dias, contados a partir da confirmação da doença em laudo patológico, ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica.

A garantia também se aplica às pacientes com câncer de mama e abrange o início da cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, de acordo com a indicação médica. A legislação busca evitar atrasos que possam comprometer as possibilidades de tratamento e recuperação.

Saúde integral e autocuidado – A roda de conversa também ampliou o debate para outras dimensões da saúde feminina. A ginecologista e sexóloga Wanicleide Leite abordou questões relacionadas à autoestima, à sexualidade e à autonomia das mulheres sobre o próprio corpo. A médica destacou os avanços na conscientização sobre a saúde feminina e ressaltou que o autocuidado precisa ser incentivado durante todo o ano, não apenas no Outubro Rosa.

A psicóloga Emília Veggi chamou a atenção para a importância do equilíbrio emocional e do cuidado com a saúde mental. “Não somente cuidar do corpo, a gente precisa cuidar da saúde mental”, afirmou. Segundo a profissional, assim como as mulheres são incentivadas a observar sinais físicos de possíveis doenças, também devem estar atentas ao próprio bem-estar psicológico.

A relação entre prática esportiva, qualidade de vida e saúde emocional foi abordada pela maratonista Christiane Mariz Maia Pessoa Vicente, que compartilhou sua experiência familiar com o câncer de mama. Ela relatou como o condicionamento físico contribuiu para a recuperação de um ente querido durante o tratamento e como a prática de exercícios a ajudou a enfrentar emocionalmente o período em que acompanhou seu familiar. A maratonista ressaltou a importância das redes de apoio e da solidariedade feminina. “As mulheres têm que se incentivar e se elogiar e se ajudar o tempo todo”, afirmou.

Superação e redes de apoio – Um dos momentos mais emocionantes do encontro foi o depoimento da servidora Analice Santos, que compartilhou sua experiência de dez anos convivendo com o câncer de mama, incluindo o diagnóstico de metástase óssea em 2020. Ela destacou a importância do apoio da família, dos amigos e dos colegas de trabalho para enfrentar o tratamento e relatou sua luta para retornar às atividades profissionais após três anos de aposentadoria por incapacidade.

“Eu não sou incapaz. Eu não sou inválida, eu posso produzir”, afirmou. Ao celebrar o retorno ao MPF, Analice deixou uma mensagem de esperança às mulheres que enfrentam a doença: “Ainda tem muita vida pela frente”. A servidora ressaltou que, apesar das dificuldades do tratamento, continua encontrando na fé, no acolhimento e no trabalho motivos para seguir em frente.

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O encontro ainda abriu espaço para manifestações de convidadas que ressaltaram a importância de reservar tempo para os cuidados preventivos, mesmo diante das múltiplas responsabilidades da vida profissional e familiar.

A desembargadora e Presidente do TRT-13, Herminegilda Leite, compartilhou sua experiência pessoal com a perda de um ente querido em decorrência do câncer de mama e destacou a necessidade de priorizar os exames preventivos. Para ela, a iniciativa do MPF representa um incentivo para que as mulheres não deixem os cuidados com a saúde em segundo plano.

A promotora de Justiça Anne Emanuelle ressaltou a importância do autocuidado diante das múltiplas jornadas enfrentadas pelas mulheres. “Às vezes, um exame de rotina que a gente vai postergando, que a gente vai deixando para depois, pode realmente redundar num problema de saúde com mais dificuldade de ser resolvido”, alertou.

Também participaram da atividade e a procuradora-geral do Ministério Público de Contas, Elvira Oliveira e a reitora da Universidade Federal da Paraíba, Terezinha Domiciano.

Ao reunir informações médicas, orientações sobre direitos e experiências pessoais, a roda de conversa reforçou a importância de uma abordagem integral da saúde da mulher, que considere não apenas a prevenção e o tratamento de doenças, mas também a autonomia, o acolhimento e as condições necessárias para que todas tenham acesso aos cuidados de saúde.

Ao final do evento, as participantes reforçaram que o cuidado com a saúde deve continuar durante todo o ano e lançaram um desafio aos presentes: incentivar, até o fim de outubro, outra mulher a manter seus exames em dia.

Fonte
Ministerio Publico Federal
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