바텐더 인터뷰: 당신은 바를 운영하고 있으며, 플라비오 볼사노를 투표할 예정인가요?

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작성 Bares pela Democracia10/10/2026 às 00:4032 조회
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária.
Brasil de Fato

Quem tem um bar pequeno conhece uma rotina que quase ninguém de fora entende. É o peso de girar a chave do cadeado na madrugada fria, o estresse com o preço da mercadoria que sobe no fornecedor, o malabarismo para cumprir a folha de pagamento e o cansaço físico de passar horas de pé. Para o pequeno comerciante, o bar não é um investimento abstrato na Bolsa de Valores: é o sustento da família, garantido com o suor do próprio rosto.

No entanto, no meio da correria do dia a dia, rola uma conversa fiada na política que tenta vender uma ilusão perigosa: a de que, só porque você abriu um CNPJ, agora você faz parte de um seleto grupo de empresários e, por isso, deveria votar em candidatos que defendem a pauta da extrema-direita, como o Flávio Bolsonaro.

Não é porque você tem obrigações diferentes das de um trabalhador que você deixa de ter uma rotina exaustiva e de ser vulnerável economicamente. Vamos colocar a realidade no papel e fazer as contas que importam? Se você precisa carregar engradado, limpar o balcão, brigar pelo preço do gelo e, principalmente, se você não puder tirar um mês de férias sem que o seu negócio corra o risco de quebrar, você não é o “grande empresário” que essa ala da política protege. Você é um trabalhador por conta própria. E votar achando que tem os mesmos interesses econômicos de um bilionário ou de um grande herdeiro político é o primeiro passo para errar o diagnóstico do seu próprio caixa.

Vamos começar pelo primeiro mito sedutor: menos burocracia. Para o microempresário que sofre com ela, isso soa como música. Mas conta aqui, você abriu um bar ou restaurante em São Paulo, cidade governada há décadas pela direita; foi tranquilo ou é burocracia intensa por todos os lados? Alvará, CNAE, contrato social, PSIU, vigilância sanitária, alvará dos bombeiros e mais um tanto de coisas. Isso tudo é a prefeitura que determina.

Agora, o “estado menor”, que significa menos presença, privatização e maior autonomia às prestadoras de serviço, como Enel e Sabesp. O que te atrapalha mais na operação, a falta de luz, de água ou de transporte público para os funcionários irem embora? Essa é a promessa de diminuir o Estado em pleno funcionamento, um agradecimento ao Tarcísio e sua turma.

Chegamos ao rei dos argumentos: o livre mercado. Querem te convencer de que, se tivermos menos regulação às empresas, o dinheiro vai fluir melhor. Só esquecem de dizer que não é para qualquer empresa, é só para as grandes.

São as gigantes da indústria de bebidas, como Ambev e Heineken, que controlam as tabelas de preços, impõem contratos de exclusividade abusivos e tiram toda a margem de lucro do pequeno comerciante, enquanto recebem isenções fiscais bilionárias que você, no Simples Nacional, nunca vai ver. Quem defende o pequeno contra a concorrência desleal das grandes corporações são políticas que entendem o papel do Estado como protetor do microempresário. Que o diga o mercadinho da sua esquina, que virou OXXO.

Entendemos que, para o dono de bar, no geral, a política não é uma discussão teórica ou ideológica de Brasília. Mas ela te afeta, pois ela acontece na mesa, no poder de compra de quem entra pela porta e no direito de usar a calçada. Quando a gente analisa a economia real, as pautas que a esquerda defende ajudam muito mais a fechar as contas do mês do que o discurso do “livre mercado”.

Porque, afinal, quem é que consome no seu bar? O investidor multimilionário ou o trabalhador comum que para depois do expediente para tomar uma gelada e comer um espetinho? O faturamento do pequeno bar depende estritamente do dinheiro que circula na base da sociedade, no bairro e na comunidade.

A cartilha econômica tradicional da direita foca sempre no congelamento do salário mínimo, no corte de investimentos públicos e na retirada de direitos trabalhistas sob o pretexto de “atrair investimentos” (o que está no plano de governo de Flávio Bolsonaro).

Na prática, o resultado é o povo com menos dinheiro no bolso. E, quando a grana aperta para as famílias comuns, a primeira coisa que se corta do orçamento é o lazer. O happy hour desaparece, o cliente passa a comprar o latão no mercado para beber em casa e o seu salão esvazia.

Por outro lado, quando o foco político é a valorização real do salário mínimo e a proteção de quem trabalha, esse dinheiro não vai para uma conta em paraíso fiscal, ele cai direto na economia local. O trabalhador que recebe um salário decente consome, comemora o fim de semana, comemora o aniversário e gasta no comércio do bairro. Para quem tem bar, o povo com dinheiro no bolso é o melhor plano de negócios que existe.

Bar é sinônimo de rua, de encontro e de vida comunitária. O botequim é o espaço da cultura popular, da música independente, do afeto e da boemia. Ideologias que apostam no esvaziamento das ruas, na privatização dos espaços públicos e em fiscalizações puramente punitivas e higienistas matam a alma do comércio de rua.

São Paulo é um ótimo exemplo disso. Como dito, é governada há décadas pela direita, sempre eleita com essas promessas que explicamos aqui, e tudo só piora, seja o trânsito, ônibus, saúde, educação e, inclusive, o seu lazer. Já viu quanto está a água de coco em um parque privatizado?

Votar pensando na realidade do seu caixa é entender que o seu bar só vai para a frente se a sociedade em volta também for. O micro e pequeno empresário está muito mais próximo do garçom que ele contrata do que do banqueiro que lhe nega o empréstimo. Defender a democracia, a valorização do trabalho e o direito à rua viva não é uma escolha ideológica, é uma escolha pela sobrevivência e pela prosperidade do seu próprio balcão.

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