Pedidos de reforma do Conselho de Segurança e posturas firmes da China e do Irã marcam fim de debates na ONU

به قلم Larissa Bohrer28/09/2026 às 23:1658 بازدید
Lavrov
Lavrov
Brasil de Fato

A Assembleia Geral das Nações Unidas, que se encerra nesta segunda-feira (28), ficou marcada pela rejeição dos Estados Unidos às condições oferecidas pelo Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz e pela evidência do esvaziamento da instituição, em especial o Conselho de Segurança, para o qual diversos países sugeriram uma reforma. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, defendeu o aumento da representação no Conselho de Segurança para Ásia, África e América Latina, com assentos permanentes para Brasil e Índia, e maior participação de países africanos. 

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a analista internacional Ana Prestes avalia que a fala de Lavrov foi muito importante, especialmente por citar o Brasil. Ela destaca que o aumento de cadeiras no conselho é uma demanda antiga do governo brasileiro. “A Rússia é um dos cinco países membros do Conselho de Segurança da ONU que tem o poder de veto. Então, você ter uma posição firme de um destes países já é uma coisa importante”, destaca.

Prestes também avalia a posição da China na assembleia, que criticou as ações do governo Donald Trump no Oriente Médio, defendeu a soberania dos países do Golfo e pediu a suspensão do bloqueio econômico estadunidense a Cuba. “De alguma forma surpreendeu, porque todo mundo que acompanha a diplomacia chinesa sabe que eles são muito ponderados, de certa forma contidos com aquilo que eles falam, e a gente sabe que a questão de Cuba é algo sensível. A fala surpreendeu, como também a bilateral entre Trump e Xi Jinping. Parece que Cuba também esteve na mesa nessa bilateral, o que também surpreende positivamente. Aumentou o número de entregas da China para Cuba: mais placas fotovoltaicas, mais alimentos. Chama a atenção a disposição da China de tratar Cuba com uma força maior durante essa presença, tanto do Xi com Trump, em Washington, como da representação chinesa na Assembleia Geral da ONU”, avalia.

Ainda sobre Trump, Ana Prestes comenta a rejeição por parte dos EUA das propostas do Irã para reabertura do Estreito de Ormuz. Teerã, por outro lado, apertou o cerco e disse que não quer mais negociar. A analista considera que a guerra está em um impasse e que as declarações de Trump no discurso de abertura não ajudam em nada as negociações. “O Trump tem falado muito e feito pouco. Agora essa decisão do Trump já tem efeito inclusive na economia mundial. O preço do petróleo já aumentou nessas últimas horas, desde a decisão”, pondera.

Existe uma avaliação interna no Irã de que essa situação será arrastada pelos EUA até a eleição de meio de mandato prevista para novembro. “Não sei se isso faz sentido, porque o Trump também é muito ansioso na tomada de decisões dele. Mas hoje há um impasse e o Irã está dando as cartas no que diz respeito ao Estreito de Ormuz”, afirma.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Brasil de Fato
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