‘Direita vai se digladiar entre si em debate e não vale a pena Lula participar disso’, avalia cientista político

Por José Bernardes30/09/2026 às 23:5351 visualizações
O presidente Lula durante carreata na Zona Leste de São Paulo
O presidente Lula durante carreata na Zona Leste de São Paulo
Brasil de Fato

A poucos dias do primeiro turno das eleições, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou delegações da França e da Alemanha sobre tentativas de interferência no pleito brasileiro por parte dos Estados Unidos e Rússia.

O colunista Paulo Niccoli Ramirez, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP), afirma que nem precisaria da Abin para identificar a tentativa de interferência do governo Donald Trump em questões internas do Brasil. O analista cita a ação deliberada das big techs, em que bolsonaristas “promovem a distorção da realidade”, na mesma lógica da eleição de Trump.

Ramirez lembra de um episódio recente em que o consulado estadunidense em SP convidou influenciadores para um evento e “depois se soube que era claramente a influência dos EUA sobre o comportamento desses influencers para tentar tirar voto de Lula”. O cientista político também explica as investidas contra o Brasil, como o tarifaço e o atual imbróglio envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). “A ideia de tumultuar o processo eleitoral é mais um indicativo de que os EUA partiram para o vale tudo para eleger Flávio Bolsonaro. E tudo isso não é apenas por uma aproximação ideológica entre o fascismo de Trump e o fascismo dos bolsonaristas, mas sobretudo pelo interesse dos EUA em barganhar as terras raras e o petróleo brasileiro”, pontua.

Além disso, Paulo Niccoli Ramirez ressalta a prática de lawfare, à exemplo do que ocorreu na época da Lava Jato, quando Lula foi retirado da disputa. “A ideia é usar o próprio Judiciário contra governos não alinhados aos EUA e, ao mesmo tempo, buscar golpes suaves com o apoio do Congresso. E isso não aconteceu só no Brasil. É um movimento orquestrado na América Latina”, afirma.

Sobre a decisão de Lula em não comparecer ao tradicional debate entre os presidenciáveis na Globo, na próxima quinta-feira (1º), o analista pondera que o cenário é muito frágil e que, portanto, a presença dele não faria bem à campanha nessa reta final. “Serão quatro candidatos que iriam usar factoides para atacar Lula. Não teríamos um debate, mas uma conspiração contra a campanha do Lula. É um desgaste desnecessário”, resume.

Além disso, Ramirez aponta que a postura de Lula “do Velho Testamento” nas últimas semanas, com declarações mais incisivas, poderia prejudicá-lo nesse contexto. “É um Lula mais incisivo em termos de crítica. E ele poderia até ganhar votos, mas iria afastar o eleitorado mais moderado. Os indecisos giram entre 6% a 9% e, com a polêmica de Nossa Senhora Aparecida, a tendência é que grande parte acabe votando em Lula. Com a ausência de Lula, o que a gente vai ver é a direita se digladiando entre si e não vale a pena Lula participar disso”, pontua.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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