Obra científica de Goethe será lançada na USP no dia 30

25/09/2026 às 19:570 visualizações
O poeta-cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe - Foto: Wikimedia Commons
O poeta-cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe - Foto: Wikimedia Commons
Jornal da USP

Publicado em 1790, livro “A metamorfose das plantas” traz conceitos que desempenham papel central no pensamento do escritor alemão

 Publicado: 25/09/2026 às 16:57
O poeta-cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe –
O poeta-cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe – — Wikimedia Commons
O poeta-cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe – Foto: Wikimedia Commons

 

A natureza não é estática, mas está em permanente mutação. Essa tese foi defendida em 1790 pelo escritor e poeta Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832) — o maior nome da literatura alemã — no livro A metamorfose das plantas, publicado naquele ano em Gotha, no leste alemão. Traduzido pela primeira vez para a língua portuguesa pela professora Maria Filomena Molder, da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, o livro será lançado no dia 30, quarta-feira, às 16 horas, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Na ocasião, haverá uma mesa-redonda com a presença de três dos maiores especialistas na obra de Goethe do Brasil: os professores da FFLCH Marcus Vinicius Mazzari e Márcio Suzuki e o professor da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) Pedro Fernandes Gallé. A professora Maria Filomena Molder participará do evento por vídeo. A entrada é grátis.

Capa do livro que será lançado no dia 30, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP –
Capa do livro que será lançado no dia 30, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP – — Divulgação/Editora 34
Capa do livro que será lançado no dia 30, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP – Foto: Divulgação/Editora 34

Baseado nos conceitos de metamorfose e morfologia, o pensamento científico de Goethe levou o naturalista inglês Charles Darwin (1809–1882) a se referir ao poeta alemão como “um aliado” da teoria evolucionista, lembra o professor Marcus Mazzari. “Não há dúvida de que Goethe foi um fervoroso partisan de pontos de vista similares”, escreveu Darwin na sexta edição de A origem das espécies, publicada em Londres em 1872.

O professor Marcus Mazzari, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP –
O professor Marcus Mazzari, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP – — Acervo USP
O professor Marcus Mazzari, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP – Foto: Acervo USP

Mazzari destaca que A metamorfose das plantas foi escrito depois de longas e minuciosas observações botânicas de Goethe, realizadas principalmente em Nápoles e Palermo, durante a viagem que o poeta fez pela Itália entre setembro de 1786 e maio de 1788. “Trata-se de um dos mais importantes trabalhos científicos de Goethe, que buscou com ele superar o modelo teórico de Lineu, baseado na classificação estática e numa terminologia fixada de forma definitiva”, acrescenta o professor, ressaltando que Goethe sentia “imensa admiração” pelo botânico sueco. “No centro desse ensaio de Goethe encontra-se o conceito de ‘metamorfose’, que, para além da botânica, desempenha um papel fundamental em suas demais concepções científicas — como na biologia e na geologia — e também em sua produção literária, em especial nos romances protagonizados por Wilhelm Meister, Os anos de aprendizado e Os anos de viagem, assim como no Fausto.”

“Goethe foi o primeiro a usar o nome morfologia como estudo das formas e estruturas orgânicas, mas já a concebe de maneira inteiramente original”, afirma o professor Márcio Suzuki, que assina o texto de orelha do livro. De acordo com Suzuki, para Goethe a morfologia exige daquele que a pratica não apenas um amplo conhecimento, mas também uma observação atenta das constantes mutações do objeto e da capacidade de se metamorfosear com ele. “Essa identificação do sujeito com o objeto não é capital apenas na ciência, mas também na arte: uma escultura não é estática, mas se move e exige uma sensibilidade ativa do observador”, escreve o professor. “Goethe se entendia, por isso, como alguém em constante experienciação e mutação, sempre aberto a novas descobertas. Como uma ‘heurística viva’, conforme definiu a si mesmo.”

Volume inclui ensaio, cartas, poema e desenhos

A tradução de A metaformose das plantas feita pela professora Maria Filomena Molder foi publicada originalmente em 1993, em Portugal, e aprimorada ao longo dos anos. Agora lançada pela Editora 34, a edição brasileira da obra contém um ensaio de Molder, que é responsável também pelas notas. O volume inclui excertos, cartas e comentários de Goethe e de outros autores sobre o livro — entre eles, o pensador alemão Walter Benjamin (1892–1940). O poema de Goethe “A metamorfose das plantas”, composto em 1798, também está publicado no livro, em tradução do professor da FFLCH Matheus Guménin Barreto. Dez desenhos de Goethe, cedidos pelo Arquivo Goethe e Schiller, de Weimar, na Alemanha, ilustram a edição.

A metamorfose das plantas, de Johann Wolfgang von Goethe, tradução de Maria Filomena Molder, Editora 34, 144 páginas, R$ 75,00.

O livro será lançado no dia 30 de setembro, quarta-feira, às 16 horas, na sala 118 do Prédio de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP (Avenida Professor Luciano Gualberto, 315, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis.

Convite para o lançamento do livro –
Convite para o lançamento do livro – — FFLCH-USP
Convite para o lançamento do livro – Foto: FFLCH-USP

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