O ato de Flávio Bolsonaro (PL) na avenida Paulista, em São Paulo (SP), neste domingo (18) reuniu apoiadores em torno da candidatura do senador à Presidência da República e de críticas ao governo do PT e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a manifestação, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu que o representante da extrema direita indique cinco ministros à Corte, em vez de quatro, e associou a proposta à possibilidade de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Com a maior bancada no Congresso e podendo indicar quatro novos ministros para o STF, Bolsonaro teria espaço favorável para “mudar a Constituição”, como anunciou recentemente que faria.
A defesa de mudanças na composição do Supremo já aparece em declarações anteriores de Ferreira. Em um vídeo, o deputado afirmou que a ocupação das cadeiras da Corte era o principal motivo para eleger Bolsonaro, vinculando a escolha do presidente da República à indicação de ministros.
Em seguida, Flávio fez um discurso breve e prometeu “salvar o Brasil do PT”. O senador também declarou: “Vou cuidar do país, vou cuidar de você”. A promessa de cuidado ocorre em meio à divulgação de propostas econômicas da campanha. Flávio negou que pretenda promover cortes às custas de quem mais precisa e contestou a possibilidade de desvincular aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do reajuste do salário mínimo. No entanto, essas foram as medidas adotadas durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro (PL).
A discussão envolve o chamado “tesouraço”, pacote de medidas atribuído à equipe econômica ligada ao campo político do candidato. As propostas incluem o fim dos pisos constitucionais de gastos com saúde e educação e mudanças nas regras de reajuste das aposentadorias do INSS e do BPC.
Segundo reportagem do Brasil de Fato, o pacote em discussão poderia representar uma economia equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 250 bilhões, e ser encaminhado por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A campanha de Flávio afirmou que essas medidas não representam uma posição oficial e não estão incluídas no plano de governo.
