E quem perdeu? Veja os nomes relevantes da política pernambucana que foram derrotados em 2026

Por Vinicius Sobreira10/10/2026 às 10:301 visualizações
direita PE derrotada
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Brasil de Fato

No domingo (4), quando 5,9 milhões de pernambucanos escolheram suas lideranças políticas para o próximo ciclo, o resultado das urnas sinalizou para mudanças internas a grupos políticos, com surgimento ou ascensão de caras novas, derrotas de figuras há muito estabelecidas na política do estado e sinalizações sobre dinâmicas de forças municipais. O Brasil de Fato realizou um levantamento e traz para o leitor alguns dos nomes relevantes que colheram derrotas junto ao eleitorado em Pernambuco.

O principal nome é o prefeito João Campos (PSB), apontado como sucessor natural do pai Eduardo. O herdeiro político recebeu 2,3 milhões de votos (44,8%), insuficiente para desbancar a governadora Raquel Lyra, que recebeu 445 mil votos a mais (53,3%) e liquidou a disputa no 1º turno. Mas o PSB manteve-se como partido mais votado em Pernambuco para a Câmara Federal, com 857 mil votos, elegendo quatro parlamentares (um a menos que em 2022). Em caso de reeleição do presidente Lula, é provável que Campos assuma algum ministério. Caso contrário, deve dedicar seu tempo exclusivamente ao partido, do qual é presidente nacional. Certo é que no próximo ciclo ele deve investir mais tempo entre Brasília e São Paulo do que em Pernambuco.

O abraço definitivo com o bolsonarismo, filiando-se ao PL, não impediu o deputado federal Mendonça Filho (PL) de amargar mais uma derrota em suas tentativas de ser eleito senador. Ficou 600 mil votos atrás da 2ª colocada Marília Arraes (PDT) e a 800 mil do líder Humberto Costa (PT). Mendonça tentara o mesmo movimento em 2018, quando foi derrotado por Humberto e Jarbas Vasconcelos (MDB), ex-líder do próprio Mendonça. Caso o Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente, Mendonça pode assumir algum cargo em Brasília. No currículo, os anos como ministro da educação do governo Michel Temer, período que ficou na lembrança dos estudantes que ocuparam escolas e universidades por todo o país.

Eduardo da Fonte (PP) é outro deputado federal que foi derrotado na tentativa de se eleger senador. Recebeu 1,3 milhão de votos e ficou em 4º lugar. Ficará sem mandato após 24 anos no Congresso, mas conseguiu reeleger seu filho Lula da Fonte (PP) para a Câmara Federal. Na melhor das possibilidades, Da Fonte pode — através de articulações do PP — assumir cargos federais no futuro governo Lula ou Bolsonaro. Há ainda a possibilidade de ocupar o primeiro escalão da governadora Raquel Lyra (PSD), opção também para Mendonça Filho (PL). Da Fonte é a principal cabeça do PP no estado. O partido viu encolher suas bancadas estadual (de 10 para 7) e federal (de 3 para 2).

Outro deputado federal que perdeu o mandato foi Túlio Gadêlha (PSD), que trocou uma reeleição tranquila por uma aventura eleitoral para o Senado, encerrando a disputa na 6ª colocação, com 671 mil votos, atrás inclusive do estreante Carlos Sant’Anna (Novo). Túlio esteve sempre ao lado de Raquel Lyra (PSD) durante a campanha, com a missão de blindá-la contra a pecha de “bolsonarista” que o PSB tentou imputá-la. Funcionou e a governadora foi reeleita com muitos votos lulistas. Túlio pode figurar no 1º escalão do governo Raquel ou até, em caso de reeleição de Lula (PT), no 2º escalão de Brasília.

Outros três deputados federais conservadores perdem mandato ao fim deste ano: Coronel Meira (PL), eleito pela primeira vez em 2022, mas agora derrotado com 55,5 mil votos; e os evangélicos Pastor Eurico (PSDB), que está no seu 4º mandato e teve 36,5 mil votos; e Ossésio Silva (Republicanos), que teve 32,9 mil votos.

Ainda entre os evangélicos, mas a nível estadual, o pastor Cleiton Collins (PP) encerra em dezembro um período de 20 anos na Assembleia Legislativa. Com 33,4 mil votos, ele ficou como 3º suplente do seu partido. Sua esposa Michele Collins (PP) disputou uma vaga de federal e, com 31,7 mil votos, também fica como 3ª suplente. Alef Collins, filho do casal, é vereador do Recife em primeiro mandato. Os deputados estaduais Joel da Harpa (PP) e William Brígido (PSD), ambos da bancada evangélica local, também foram derrotados, ficando com a 5ª suplência e a 6ª suplência dos seus respectivos partidos.

Doriel Barros (PT) foi a perda mais relevante do campo progressista na Alepe nesta eleição. Ex-presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetape) e do Partido dos Trabalhadores, Barros recebeu 42,2 mil votos e ficou como 1º suplente de uma bancada que tem nove nomes. Se um deles assumir uma secretaria no governo Raquel Lyra, o petista volta ao parlamento. O 2º suplente também é um deputado que cumpre até dezembro seu primeiro mandato: Gilmar Júnior (PV), um dos líderes em Pernambuco da luta pelo piso salarial da enfermagem.

O deputado estadual Romero Albuquerque (PSB) não conseguiu o mesmo engajamento de outros anos e, com 27,8 mil votos, não ficou entre os nove eleitos pelo seu partido, restando-lhe a 4ª suplência do PSB na Alepe. Sua esposa Andreza Romero disputou uma vaga federal e, com 31,1 mil votos, fica na 3ª suplência. O ex-deputado federal Daniel Coelho (PSD), que este ano também abraçou a pauta animal, recebeu 59,9 mil votos e também ficou pelo caminho. Ele já perdera o mandato em 2022 e fracassou na disputa pela prefeitura do Recife (2024), recebendo 3,2% dos votos e ficando em 4º lugar, apesar de ser o candidato da governadora Raquel Lyra.

Miguel Coelho (UB) é mais um derrotado na busca de uma vaga na Câmara Federal. Mas ele ficou com a 1ª suplência, já que recebeu 102 mil votos — oito mil a menos que Clarissa Tércio (PP), 4ª colocada na federação PP-União Brasil. Ex-prefeito de Petrolina, Miguel perdeu a disputa pelo Governo do Estado em 2022, ficando em 5º lugar (884 mil votos). Ainda pelo União Brasil, seus irmãos Fernando Coelho Filho e Antônio Coelho foram reeleitos para seus mandatos como deputados federal e estadual.

As disputas municipais

Em Olinda, o ex-prefeito Lupércio Nascimento sofreu uma nova derrota na tentativa de garantir uma cadeira na Assembleia Legislativa. Enquanto prefeito (2016–2020), falhou duas vezes (2018 e 2022) ao tentar eleger sua esposa Cláudia Cordeiro deputada estadual. Desta vez, com 22,6 mil votos, ficou apenas como 8º suplente do PSD, apesar de ter a seu favor sua sucessora na prefeitura, Mirella Almeida. Ele é mais um que deve ganhar espaço no governo Raquel Lyra ou até na prefeitura de Olinda. Outra derrotada foi Izabel Urquiza (PL), que também deseja conquistar a gestão municipal que já foi ocupada por sua mãe Jacilda. Entre os prefeituráveis, Vinicius Castello (PCdoB) é quem conquistou uma vaga na Alepe, com 49,9 mil votos.

Terra arrasada se deu um pouco mais ao norte, no Paulista. O atual prefeito Severino Ramos (PSDB) tentou eleger sua filha e ex-secretária Amanda Ramos (PSD) deputada estadual, mas os 16,6 mil votos não foram suficientes. O adversário de Ramos no 2º turno de 2024, o deputado estadual Júnior Matuto (Republicanos) teve 28,6 mil votos, mas também foi derrotado, ficando como 2º suplente de um partido que elegeu apenas um deputado. A 3ª colocada na eleição municipal foi Lívia Álvaro, que migrou para o PL e recebeu 3,2 mil votos. A vereadora paulistense Marcelly da Aquarela (Republicanos) teve sete mil votos no domingo, ainda distante do necessário para uma vaga na Câmara Federal.

Situação diferente se deu no litoral sul. No Ipojuca, os dois grupos que disputam o município há décadas viveram emoções díspares no último dia quatro. O grupo dos ex-prefeitos Romero Sales e Célia Sales, perdeu o único mandato que possuía, com o Romero Filho (PSD) na Assembleia Legislativa. Ele teve 38,1 mil votos e ficou como 2º suplente, podendo assumir uma cadeira ocasionalmente, visto que o seu partido elegeu nove estaduais. A mãe Célia Sales (PSD) teve 14,3 mil votos para federal e ficou na 4ª suplência. Já o grupo encabeçado pelo atual prefeito Carlos Santana (Republicanos) e pela esposa, a deputada estadual Simone Santana (PSB), viu a filha do casal receber estrondosos 104 mil votos para substituir a mãe na Alepe.

Fonte
Brasil de Fato
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