O Exército dos Estados Unidos e dos aliados Argentina, Chile e Peru realizaram exercícios militares pela primeira vez na Amazônia peruana durante duas semanas. A alegação era de preparação para eventuais combates na “densa floresta”.
Contudo, em um comunicado emitido pelas autoridades estadunidenses, um elemento chamou a atenção: se preparar para a defesa do “Hemisfério Ocidental”, informou o ICL Notícias. O termo tem sido usado pelo governo Donald Trump para designar uma região considerada no Pentágono como parte da segurança nacional dos EUA.
O episódio acontece em um contexto pré-eleitoral no Brasil, em que Trump tem realizado diversas ameaças de interferência no pleito e já declarou em mais de uma oportunidade sua predileção por Flávio Bolsonaro.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Ricardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, explica que as Forças Armadas dos países da América Latina, com a lógica dos EUA, são historicamente muito integradas. Mas, segundo o professor, em qualquer outro contexto que isso acontecesse, não seria tão alarmante. “O homem, o ser humano, é sempre ele e a sua circunstância”, afirma. “Desde a Guerra Fria há exercícios militares entre os militares estadunidenses e os latino-americanos”, continua.
Contudo, Ricardo Leães observa que o contexto é diferente, considerando que os EUA têm realizado reiteradas ameaças ao Brasil. “Todo o cenário é bastante preocupante; é preciso, sim, ligar um alerta. Se Lula vencer as eleições, que é o que queremos, ele provavelmente terá alguma dificuldade de governar”, avalia, ao pontuar que, com exceção do México e Cuba, Brasil está isolado na América Latina.
Leães observa que, em outros momentos da história, a própria direita apresentou de certa forma uma resistência ao domínio completo dos EUA. Mas agora o cenário é outro. O professor reforça que “os sinais estão se apresentando” e menciona ações recentes de Trump contra o Brasil: o tarifaço, a aplicação da lei Magnitsky e a inclusão das facções criminosas em organizações terroristas, o que permitiria uma intervenção militar. “Na política internacional, as movimentações mais abruptas não costumam acontecer do nada. A gente costuma ver que elas podem acontecer”, aponta. “Há cheiro de que os EUA querem interferir na política brasileira. E isso é realmente muito preocupante.”
Para ouvir e assistir
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
