UFG aciona polícias após relatos de ameaças em meio à mobilização estudantil

Di Ana Gonçalves09/10/2026 às 23:150 visualizzazioni
Assembleia estudantil de mobilização pela reeleição de Lula no campus Samambaia da UFG
Assembleia estudantil de mobilização pela reeleição de Lula no campus Samambaia da UFG
Brasil de Fato

A mobilização de estudantes em universidades para ampliar o apoio à candidatura do presidente Lula (PT) no segundo turno ocorre em meio a relatos de ameaças contra comunidades acadêmicas. A Universidade Federal de Goiás (UFG) acionou forças de segurança após receber capturas de mensagens com possíveis ameaças a estudantes. A instituição solicitou a apuração do conteúdo para verificar se há risco concreto de ataques. 

Em ofícios enviados nesta sexta-feira (9) à Polícia Federal (PF), à Polícia Militar de Goiás (PMGO) e à Polícia Civil, a vice-reitora Camila Cardoso Caixeta, no exercício da Reitoria, comunicou a circulação das mensagens e solicitou providências preventivas. Segundo os documentos, a universidade tomou conhecimento do material por meio de conversas compartilhadas em grupos de WhatsApp.

A UFG, no entanto, ressalva que não conseguiu confirmar a autoria, a autenticidade ou o alcance das mensagens, nem determinar se há intenção real de executar as ameaças. Por isso, solicitou que as autoridades avaliem a existência de planejamento e de risco concreto, examinem os conteúdos que circulam em ambientes digitais e indiquem medidas de prevenção. A universidade também solicitou um canal de comunicação rápido caso seja identificado risco iminente.

O acionamento ocorre em um momento de intensificação da disputa política nas universidades. Desde o início da semana, organizações estudantis convocam assembleias, plenárias e manifestações em diferentes regiões do país para mobilizar eleitores a favor do voto em Lula para barrar o avanço da extrema direita representada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente no segundo turno.

Ameaças

O deputado estadual eleito Fabrício Rosa (PT), doutor em Direitos Humanos pela UFG, afirmou à reportagem que tem recebido mensagens com ameaças em suas redes sociais e que influenciadores digitais têm atuado na incitação à violência contra estudantes ligados à oposição. Segundo ele, seu gabinete também enviou ofícios à PMGO, à Polícia Civil e à PF relatando os casos.

Capturas de tela que o Brasil de Fato DF teve acesso mostram mensagens trocadas em grupos de WhatsApp. Em uma delas, um participante reage à divulgação do ato estudantil marcado para domingo (11), perguntando se o ato era “a favor de Lula” e pedindo para ser avisado para levar “uns molotov caseiro”. Em um áudio transcrito, um homem convoca integrantes de um grupo “da turma da direita” da universidade a ir à praça para “fazer barulho” no que chama de “encontro dos petralhas”. 

Fabrício relatou ainda que um ato de estudantes em Jataí, no sudoeste goiano, realizado na quinta-feira (8), também foi alvo de ameaças de alunos de extrema direita que pretendiam “causar confusão” no local. De acordo com o deputado, a manifestação ocorreu sem registro de violência.

O DCE da UFG relata ter recebido denúncias de estudantes ameaçados em grupos de WhatsApp criados para a campanha de Lula. Segundo a entidade, esses grupos foram invadidos por “bolsonaristas e neonazistas”, que prometiam entrar nas assembleias estudantis para gravar e agredir apoiadores do presidente e integrantes do movimento estudantil. O DCE afirma que também houve tentativas de invasão no grupo organizado por ele, algumas feitas por pessoas que diziam ser de Minas Gerais, e que colocou advogados à disposição dos estudantes ameaçados.

Na quinta-feira (8), estudantes do campus Samambaia da UFG aprovaram por unanimidade uma carta de apoio ao Lula e ao combate do fascismo na instituição.

Estudantes, movimentos sociais e apoiadores de Lula marcharam da Praça Universitária até a Praça Cívica, no centro de Goiânia, na quarta-feira, 7 de outubro |
Estudantes, movimentos sociais e apoiadores de Lula marcharam da Praça Universitária até a Praça Cívica, no centro de Goiânia, na quarta-feira, 7 de outubro | — João Palhares/Brasil de Fato DF
Estudantes, movimentos sociais e apoiadores de Lula marcharam da Praça Universitária até a Praça Cívica, no centro de Goiânia, na quarta-feira, 7 de outubro | Crédito: João Palhares/Brasil de Fato DF

Forças de segurança recebem solicitações

A Polícia Militar de Goiás confirmou o recebimento do ofício da UFG e informou que o documento foi inserido no sistema da corporação. A Polícia Federal também confirmou que registrou o protocolo em um documento no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), com encaminhamento à Diretoria-Executiva Regional da Superintendência Regional em Goiás.

Os registros anexados ao processo não apresentam confirmação sobre a autenticidade das mensagens nem identificam possíveis responsáveis. A Polícia Civil também foi acionada pela Reitoria, mas os documentos disponíveis não informam quais providências foram adotadas pela corporação.

A UFG afirma que o objetivo das solicitações é preservar a integridade física da comunidade universitária e o patrimônio público federal. A universidade se colocou à disposição para encaminhar os materiais originais e prestar informações adicionais às equipes responsáveis.

Incêndio na UFPE amplia preocupação

Nos ofícios enviados às autoridades, a UFG também menciona o incêndio de grandes proporções que atingiu, na noite de quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. O local abrigava laboratórios ligados a áreas como fármacos, informática e genética. A Reitoria cita o episódio como um fator que ampliou a preocupação com a segurança da comunidade universitária, mas os documentos não estabelecem relação entre o incêndio e as mensagens recebidas em Goiás.

Em nota divulgada na quinta-feira (8), a UFG manifestou solidariedade à comunidade acadêmica da UFPE e lamentou os prejuízos ao ensino, à pesquisa e à inovação. A instituição defendeu que as causas do incêndio sejam devidamente apuradas. A investigação sobre o episódio em Pernambuco segue separada da apuração das ameaças relatadas por outras universidades.


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