Plano econômico de Flávio Bolsonaro ameaça investimentos sociais e consumo interno, alerta economista

Por José Bernardes10/10/2026 às 00:5115 visualizações
À tribuna, em discurso, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
À tribuna, em discurso, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Brasil de Fato

Apelidado de “tesouraço”, o plano econômico do senador Flávio Bolsonaro para o Brasil inclui desvinculação de gastos com a inflação, impactando nos investimentos de saúde e educação, além de mudanças na aposentadoria e no reajuste do salário mínimo.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Marilane Teixeira, professora e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit-IE/Unicamp), avalia que o plano é temerário porque, além de promover cortes em áreas sociais, pode causar um desaquecimento completo da economia. Além disso, questiona o argumento de controlar a dívida pública. “Ele quer convencer de que a única forma de controlar a dívida pública é reduzindo gastos em áreas essenciais, áreas fundamentais, áreas inclusive que são consideradas estratégicas, né, para um projeto de desenvolvimento econômico e social de um país, que preserva a dignidade e o direito ao acesso às políticas públicas, que é o povo brasileiro. Isso é um equívoco”, afirma.  

Teixeira aponta que, com a expectativa de redução no crescimento econômico nos próximos dois anos, somada à alta taxa de juros, a ideia de Flávio poderá ser desastrosa para o consumo interno do país, que é o que faz girar a economia. Ela lembra que 70% do Produto Interno Bruto (PIB) é gerado no processo de consumo interno e alerta para o impacto na economia local de cidades menores. “É o consumo interno que garante, que alavanca o crescimento econômico do país. Se você reduz uma parcela da disponibilidade e renda da população, principalmente da população mais pobre, a população, por exemplo, dos mais de 40 milhões, que depende da aposentadoria, considerando que hoje em torno de 80% a 90% recebe dois salários mínimos, significa injetar menos dinheiro na economia”, explica.

Para ela, Flávio e seus assessores não se preocupam com isso porque querem agradar o mercado financeiro. “Não estão comprometidos ou interessados em esclarecer à população e à sociedade os riscos que essas medidas que estão anunciando podem resultar para o conjunto da economia”, afirma. Marilane Teixeira reforça que, caso Flávio siga o que está prometendo, o “crescimento do país será muito comprometido”.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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