Parece oportuno retomar a leitura dessas obras, tendo em vista a alta incidência de falas ambivalentes – disseminadas nas ruas e escancaradas nas redes sociais – às vésperas de mais um pleito eleitoral. Em política, a falta de continuidade dos projetos mais inclusivos – ou seja, de caráter efetivamente social – é uma constante da história republicana brasileira.
Não se trata apenas de assistir ao silêncio conveniente dos resignados, mas de testemunhar a cíclica defesa de uma alegada ruptura com o que está aí. Um dos sintomas da falta de projetos benéficos ao país leva os próceres da extrema direita a arrebanhar uma legião de seguidores – fiéis não à nação soberana, menos ainda ao senso coletivo; trata-se de um grupo que porta a voz de si mesmo e, no máximo, de seus comparsas.
Em seu discurso não há pejo algum em vociferar em nome do patriotismo, embora sua postura seja entreguista; discorrer em nome da correta administração dos bens públicos, ainda que sua conduta seja privatista; declarar amor ao país, a despeito de correrem para Orlando, na primeira oportunidade; proclamarem-se como tipos antisistema, enquanto obtêm vantangens lícitas e ilícitas, oriundas do Estado que demonizam.
Não é por acaso que o discurso extremista elege os profissionais da educação como um dos alvos prediletos de seu ressentimento. A fala que vociferam é um amontado de ambivalências. Engana-se quem acredita que, em seu caso, a ambiguidade decorra de equívoco: via de regra, trata-se de um misto de egoísmo, desfaçatez e cinismo.
Quando lidamos com discursos dessa estirpe, é inevitável notarmos a justaposição forçada de pseudoargumentos incoerentes. Eis a importância de defendermos e atuarmos como educadores que estimulam a leitura crítica, quer dizer, a capacidade de criticar o que não vai tão bem e de dar um basta às palavras e ações, cujo propósito é recolonizar o país (em benefício próprio e particular, é claro).
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