Retirada de vistos determinadas pessoas da Bolívia é 'mensagem política e diplomática dos EUA'

24/10/2026 às 06:101 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
Somente 15 nomes foram divulgados, entre eles parlamentares, juízes e promotores, além de ex-autoridades do Poder Judiciário, do Ministério de Governo e da Polícia. Em setembro passado, o Departamento de Estado já havia divulgado que 20 pessoas estavam impedidos de entrar no país.
O governo de Rodrigo Paz afirmou que, nesse assunto, são tomadas decisões soberanas, enquanto a oposição acusou o governo de agir sob a influência do presidente dos EUA, Donald Trump.
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Notícias do Brasil
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Sobre a influência de Washington no governo da Bolívia, porta-voz presidencial, José Luis Gálvez afirmou que "em nosso país, as decisões são tomadas soberanamente [...] Não agimos por imposição, mas celebramos a convergência de posições com o governo americano".
Mesmo sem a existência de denúncia ou processo judicial, várias autoridades em exercício já renunciaram seus cargos, como o agora ex-presidente do Tribunal Supremo de Justiça de Santa Cruz, Aldo Quiroz, e o magistrado Julio Alba, que teriam "perdido credibilidade", após a revogação de seus vistos, segundo o magistrado Romer Saucedo.
A Procuradoria-Geral do Estado também destituiu os promotores Félix Gerardo Balderas Arteaga e Julio César Porras Velarde por constarem na lista do Departamento estadunidense.

Surpresa e dor

Em entrevista à Sputnik, o analista Álvaro del Pozo avaliou o abalo político provocado pela nova lista do governo Trump:
"A Bolívia recebeu esta nova lista com muita surpresa e também com muita dor, porque ela nos mostra, de certa forma, que, na Bolívia, foi estabelecido, nos últimos tempos, um sistema que participou, ajudou e tentou não prejudicar as atividades ilícitas do narcotráfico e do crime organizado".
Para o analista, o governo deveria realizar investigações para encontrar verdade histórica sobre os fatos.
"A revogação do visto é uma medida administrativa. O que cabe agora é verificar se existem provas para consolidar uma linha de investigação e, finalmente, uma acusação que termine em condenação ou absolvição dessas pessoas. O fato de essas listas terem sido divulgadas constitui uma mensagem política e diplomática dos EUA ao governo da Bolívia."
Para Del Pozo, a participação da Bolívia no chamado Escudo das Américas "comprometeu o governo a trabalhar conjuntamente no combate ao narcotráfico e ao crime organizado".
"Acredito que a divulgação dos nomes não representa uma ingerência dos EUA no país. No entanto, o governo da Bolívia precisa exercer soberanamente o poder de persecução penal do Estado, por meio do Ministério Público", acrescentou.

Um pedaço de papel inútil

Em suas redes sociais, o ex-presidente Evo Morales (2006–2019) afirmou que "para os povos dignos, livres e soberanos, o visto não passa de um pedaço de papel inútil do império norte-americano. É um instrumento para chantagear, extorquir e condicionar governos, partidos políticos e funcionários da Justiça".
Omar Ramírez, porta-voz do movimento político Evo Pueblo, disse à Sputnik que as listas divulgadas pelos EUA deixaram evidente que "os verdadeiros narcotraficantes da Bolívia são aqueles de colarinho branco e de gravata".
Segundo ele, as pessoas nas listas dos EUA devem ser investigadas e processadas. No entanto, afirmou desde o acordo do Escudo das Américas, a Bolívia começou a se submeter às determinações políticas e jurídicas dos EUA:
"Na realidade, os EUA estão atuando como a polícia boliviana", motivo pelo qual "questionamos a submissão e a ingerência estrangeira em um nível tão extremo".
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