A peça teatral “Helô em Busca do Baobá Sagrado” será apresentada neste sábado (10), às 16h, no Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, nº 641, Boa Vista). Com entrada gratuita para crianças indígenas e de terreiros matriculadas em escolas públicas e ingresso a R$ 10 para o público geral, a sessão integra uma circulação estadual que pretende ampliar o acesso à cultura e valorizar o protagonismo infantil afrocentrado. O espetáculo tem classificação livre e contará com audiodescrição para pessoas com deficiência visual, intelectual ou neurodivergentes.
Inspirada no livro infantil “As Aventuras de Helô em Busca do Baobá Sagrado”, publicado em 2025 por Talles Ribeiro e Heloísa Ribeiro, a montagem combina teatro, dança, música e manipulação de bonecos e figuras animadas para abordar questões como racismo, bullying, ancestralidade e respeito à natureza. A obra também aposta na participação direta das crianças na construção de suas narrativas, colocando personagens negros no centro da história.
A apresentação no Recife faz parte do projeto Helô em Busca do Baobá Sagrado: protagonismo infantil afrocentrado em circulação por Pernambuco, que prevê cinco sessões até o fim de 2026, passando pela Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata Norte, Agreste e Sertão. A primeira apresentação do circuito ocorreu no dia 2 de outubro, na Escola Municipal Quilombo Onze Negras, no Cabo de Santo Agostinho, em uma atividade voltada à própria comunidade quilombola.
A programação também prevê uma apresentação em Arcoverde, na aldeia indígena Fulni-ô. As datas e os locais das sessões na Zona da Mata Norte e no Agreste ainda serão definidos. Com a iniciativa, o espetáculo chega pela primeira vez à comunidade quilombola Onze Negras e amplia sua presença para territórios do interior pernambucano.
Na trama, Helô é uma menina negra que percebe a tristeza tomar conta de seu povoado. Em busca de respostas, ela procura a avó, Velha Cachimbeira, que lhe confia a missão de encontrar o Fruto Sagrado do Baobá, capaz de curar a comunidade de uma tristeza provocada pelo racismo e pelo bullying.
Acompanhada pelo pai, a menina parte para a Floresta Negra e encontra personagens como Pé de Jaca, Dr. Sapão, Anahí, Corujita, os encantados e Comadre Fulorzinha. Para alcançar seu objetivo, Helô precisará enfrentar Seu Quadrado, personagem que representa uma visão limitada e cinzenta do mundo.
A direção e a dramaturgia são assinadas por Agrinez Melo, que também responde pelas letras musicais e pela criação do figurino. Ela integra o elenco ao lado de Cecília Chá, Ester Soares, Fábio Henrique e Talles Ribeiro, com atuação em cena e manipulação de bonecos e figuras animadas. Heloísa Ribeiro, atualmente com nove anos, acompanha o processo de criação e as apresentações, contribuindo para o desenvolvimento da obra.
Segundo Agrinez, a proposta surgiu da necessidade de ampliar a presença de crianças negras como protagonistas nas produções voltadas à infância.
“O contexto de criação surge da necessidade urgente de colocar a criança negra no centro das narrativas infantis, em contraponto à histórica ausência de representatividade protagonista afrocentrada. Cada apresentação cria uma ponte entre memória e imaginação, cultura e infância, fortalecendo o vínculo das crianças com sua própria história, e a diversidade que as cerca. Também traz um pensamento a respeito do que as crianças e a pauta ancestral têm para nos ensinar na perspectiva de uma sociedade justa e feliz para as novas gerações”, declara a diretora.
A produção é realizada pela DoceAgri e articula referências afro-brasileiras, indígenas, quilombolas e pernambucanas. A proposta é fazer do teatro um espaço de reconhecimento cultural, no qual crianças de diferentes territórios possam se identificar com as histórias apresentadas e conhecer outras experiências.
O debate sobre identidade e pertencimento se soma à preocupação ambiental presente na montagem. Cenários e figurinos incorporam materiais reciclados, aproximando a linguagem artística de uma reflexão sobre o cuidado com a natureza.
A circulação também busca fortalecer o acesso à cultura fora dos principais centros urbanos, com atividades em espaços culturais, escolas públicas, terreiros de matriz africana, festivais e territórios indígenas. Antes desta temporada, o espetáculo já passou por locais como o Casarão das Artes e a Escola Pernambucana de Circo, no Recife; a Aldeia Marataro Kaeté, em Igarassu; e o Ilê Axé Oxum Iponda, em Olinda. Também integrou programações de festivais em Pernambuco.
De acordo com a produção, mais de 300 crianças e adultos já assistiram à peça. A expectativa é ampliar esse público e contribuir para a formação cultural das crianças, incentivando a participação comunitária e a valorização da diversidade.
O projeto conta com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura, do Governo Federal, do Governo de Pernambuco, da Fundarpe e da Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE).
