‘Doença pediátrica’: no Dia do Combate ao Fumo, entenda por que jovens estão fumando mais

به قلم Afonso Bezerra29/08/2026 às 13:003 بازدید
Aumento do número de fumantes entre jovens e mulheres acende alerta
Aumento do número de fumantes entre jovens e mulheres acende alerta
Brasil de Fato

O número de fumantes brasileiros vem crescendo, especialmente entre os mais jovens. Atualmente, 11,6% da população adulta se declara fumante de cigarro convencional, contra 9,3% em 2023. Entre jovens de 16 a 24 anos, a proporção atingiu 19%, a maior taxa de consumo de cigarros comuns ou eletrônicos entre todas as faixas etárias do país.

Este sábado (29) é o Dia Nacional de Combate ao Fumo e, diante das estatísticas, Mariana Pinho, coordenadora do programa de controle do tabaco da ACT Promoção da Saúde, aponta a saborização de cigarros como uma das principais explicações para a adesão dessa faixa etária. “O tabagismo é uma doença pediátrica. 90% dos fumantes começaram antes dos 19 anos”, resume. Ela destaca a necessidade de buscar formas de falar com o público jovem.

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, ela destaca que a saborização é uma estratégia antiga e eficiente da indústria tabagista, pois torna o fumo mais agradável ao paladar dos iniciantes. “Aromas, mentol, frutas, baunilha, chocolate, melancia e todos os outros sabores e substâncias são adicionados ao cigarro para tornar a experiência menos desagradável. Desde a década de 1970, ela [a indústria] usa esses aditivos. Eu não sei se alguém aqui se lembra ou já deu uma primeira tragada: tem a fumaça que é quente. Se não tivesse isso [os sabores], seria desagradável. E muitas pessoas nem começariam, nem continuariam a fumar”, avalia.

Outra medida importante para inibir o consumo de cigarro é o aumento de preços a partir da tributação do produto, que ocorreu com ajustes do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) adotados em 2011 até 2016. “É a medida isolada mais eficaz para inibir o consumo. As pessoas deixam de fumar, não começam a fumar. Em 2016 não teve reajuste e passamos um período até 2024 sem nenhum aumento. Naquele ano, o cigarro chegou a R$ 6,50, que é hoje o terceiro mais barato das Américas”, pontua. “Ainda tinha espaço para aumentar o preço do cigarro. Ele ficou mais acessível, ficou mais fácil de comprar.”

Um terceiro ponto destacado por Mariana Pinho é a entrada do cigarro eletrônico no mercado brasileiro. A especialista observa que há estudos que mostram que uma pessoa que experimenta cigarro eletrônico tem “de três a quatro vezes mais chances de se tornar fumante”.

“São fatores que devem ter contribuído para, infelizmente, a gente quebrar essa descida [no número de fumantes]. É uma pena”, afirma.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h25 às 8h25 da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

منبع
Brasil de Fato
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