Mendonça derruba sigilo sobre Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Claudio Castro e Jaques Wagner

11/09/2026 às 23:3690 Aufrufe
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (11) a retirada do sigilo de mais documentos e processos relacionados ao caso Master. A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou que a liberação parcial dos autos poderia "induzir à ideia equivocada de transparência".
Ao todo, Mendonça liberou o sigilo de 18 processos relacionados ao caso Master e retirou o sigilo de outros 21 processos. Entre as investigações estão apurações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL-RJ), o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Thiago Miranda.
Imagem do artigo
Notícias do Brasil
Lindbergh pede ao STF investigação sobre suposto dinheiro estrangeiro na campanha de Flávio
A investigação envolvendo Flávio Bolsonaro trata do financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a Polícia Federal, o senador teria sido o "interlocutor direto" de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, na tentativa de obter recursos para o projeto, que seriam posteriormente "geridos" pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Os dois negam irregularidades.
O processo envolvendo Ciro Nogueira apura uma suposta atuação do senador no Congresso em defesa de interesses de Vorcaro e do Banco Master. A PF aponta o possível pagamento de vantagens financeiras ao parlamentar, que nega as acusações.
Já a investigação sobre Cláudio Castro trata de possíveis irregularidades em operações que envolveram R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro, com o Banco Master. Os investigadores apuram se houve uma manobra na direção do fundo para viabilizar operações consideradas de alto risco. Castro nega qualquer irregularidade.
No caso de Jaques Wagner, a investigação apura a relação do senador com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Os investigadores apontam supostos pagamentos de vantagens financeiras, incluindo repasses a uma empresa de familiares do parlamentar e a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador. Wagner nega ter cometido qualquer ato ilícito ou recebido benefícios relacionados ao banco.

Pedido da PGR

O vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, pediu a ampliação da retirada de sigilo depois de constatar que parte dos procedimentos relacionados à investigação mais ampla da Operação Compliance Zero não havia sido incluída na primeira lista de documentos liberados.
Segundo a PGR, a divulgação apenas de parte dos autos poderia criar uma percepção equivocada de transparência. O órgão afirmou que a lista encaminhada por Mendonça não contemplava "grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla" da operação.
A manifestação foi encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin. Chateaubriand Filho e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, vão atuar conjuntamente no caso.
Imagem do artigo
Notícias do Brasil
'É preciso colocar ordem na casa': Lula defende ações do presidente do STF

Mendonça rebate Moraes

Após a decisão de Fachin para que o sigilo dos documentos fosse retirado em até 24 horas, Mendonça afirmou que todas as informações que deveriam ser disponibilizadas aos ministros já haviam sido liberadas. Segundo o relator, os procedimentos relacionados ao processo que será analisado pelo STF na próxima terça-feira (15) tiveram o sigilo levantado e estão integralmente disponíveis aos gabinetes dos ministros.
Mendonça também explicou que a diferença entre a quantidade de documentos indicada no sistema eletrônico do STF e o número de peças disponíveis para consulta não significa necessariamente que documentos tenham sido mantidos sob sigilo. Segundo ele, a divergência pode ocorrer porque determinados documentos foram transferidos para outros procedimentos ou correspondem a peças internas, como ofícios e mandados.
A manifestação foi uma resposta às críticas de Alexandre de Moraes. O ministro voltou a acusar Mendonça de realizar um "levantamento seletivo e direcionado" dos documentos do caso e afirmou que a medida poderia proteger um "determinado grupo político".
Moraes anexou ao despacho encaminhado a Fachin registros dos sistemas internos do STF que, segundo ele, indicariam a existência de peças que ainda não estão disponíveis aos ministros. Em uma das telas apresentadas pelo ministro, consta a indicação de que o procedimento "possui peças sigilosas não visíveis". Moraes afirmou ainda que não cabe ao relator escolher quais documentos ficam acessíveis ao colegiado para o julgamento.

Zanin pede dados do celular de Vorcaro

O ministro Cristiano Zanin também pediu que os integrantes do STF tenham acesso à íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro antes do julgamento marcado para terça-feira (15).
Zanin afirmou ser "imprescindível" que os ministros tenham acesso ao conteúdo integral do aparelho e pediu que Mendonça ou a Polícia Federal disponibilize aos demais integrantes da Corte uma cópia dos dados.
O ministro argumentou que todos os julgadores devem ter a mesma oportunidade de analisar os elementos relacionados ao relatório que cita Moraes. Segundo Zanin, a não disponibilização do material aos demais ministros poderia dificultar o julgamento.
A sessão extraordinária do STF está marcada para terça-feira (15) e deverá analisar a validade do relatório da Polícia Federal que reuniu registros de conversas entre Moraes e Vorcaro. O caso provocou uma crise interna na Corte e envolve ainda referências aos ministros Dias Toffoli, além dos senadores Davi Alcolumbre (União-AP), Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e Ciro Nogueira, o procurador-geral Paulo Gonet e Flávio Bolsonaro.
Imagem do artigo
Imagem do artigo
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Quelle
Sputnik Brasil
Original öffnen ↗
War diese Nachricht nützlich?

Debatten 0

Seien Sie der Erste, der zur Debatte beiträgt.

Teilen Sie Ihre Informationen und fördern Sie Ihr Argument

Zögern Sie nicht, nützliche Informationen zu veröffentlichen.

Um an der Diskussion teilzunehmen, melden Sie sich an oder erstellen Sie ein kostenloses Konto.