Advogado de Vorcaro foi vice-presidente da Conib, entidade que financiou viagem de André Mendonça

Por Thiago Suman15/09/2026 às 13:270 visualizações
Criminalista Daniel Bialski integra comitê jurídico da Conib
Criminalista Daniel Bialski integra comitê jurídico da Conib
Brasil de Fato

Em meio às informações que vêm à tona nas investigações da Polícia Federal sobre a fraude do Banco Master, um nome tem aparecido pouco, apesar de sua atuação junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso como cabeça do esquema: se trata do advogado Daniel Leon Bialski, que passou a integrar a defesa de Vorcaro em agosto de 2026.

Bialski trabalha no caso ao lado do advogado Sérgio Leonardo. Sua contratação foi noticiada por alguns meios de imprensa como decisiva para negociar uma delação premiada do ex-banqueiro.

Atuação na Conib

Antes de assumir o caso de Vorcaro, Bialski se destacou a partir de uma posição de destaque na estrutura jurídica da Confederação Israelita do Brasil (Conib). A entidade o identifica como advogado e assessor da presidência e, em diferentes momentos, como integrante de seu comitê jurídico.

Bialski foi primeiro vice-presidente da Conib em novembro de 2020, integrando a chapa liderada por Claudio Lottenberg, tendo sido reconduzido ao cargo após a reeleição da diretoria no final de 2023 para o mandato subsequente.

Processo contra Breno Altman

Uma das atuações mais conhecidas ocorreu no processo movido pela Conib contra o jornalista Breno Altman. Em novembro de 2023, a Justiça de São Paulo determinou, em caráter liminar, a retirada de publicações consideradas racistas, injuriosas e discriminatórias feitas por Altman.

A ação foi apresentada pela Conib e contou com a participação de Bialski, Andrea Vainer, Charles Argelazi e Jairo Haber.

Caso contra políticos e partidos

A atuação de Bialski junto a entidades judaicas também aparece em um processo contra o vereador paulistano Adilson Amadeu (União Brasil).

Em 2023, a Justiça de São Paulo condenou o parlamentar a dois anos e seis meses de reclusão, em regime inicial aberto, por crime de racismo, em ação movida pela Conib e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp). O processo envolvia declarações consideradas antissemitas feitas pelo vereador em um áudio compartilhado pelo WhatsApp.

Em setembro de 2024, a condenação foi confirmada pela 16ª Câmara Criminal do TJSP. Na ocasião, Bialski representava a Fisesp.

Outra frente de atuação da Conib com participação de Bialski envolve representações contra integrantes do Partido da Causa Operária (PCO) por manifestações apontadas pela entidade como antissemitas.

Defesa de políticos da extrema direita

Enquanto atua em ações institucionais da Conib contra manifestações consideradas antissemitas, Bialski também construiu uma carteira de clientes com nomes de grande projeção na política brasileira.

Entre seus clientes destacados está Michelle Bolsonaro. O advogado já havia trabalhado para Michelle em outros episódios e, em agosto de 2023, foi contratado para atuar em sua defesa no caso das chamadas joias sauditas. Bialski deixou a defesa poucos dias depois, mas sua passagem pelo caso ganhou repercussão nacional.

Bialski também já representou Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro, além de outros políticos e autoridades.

A lista inclui a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, o ex-ministro Onyx Lorenzoni (PP-RS) e o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos-SP). Mais recentemente, também atuou para o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

Outro nome de grande repercussão associado à trajetória profissional de Bialski é o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), cuja defesa integrou em determinado momento.

Polêmicas na defesa de Vorcaro

Poucas semanas depois de assumir o caso, Bialski protagonizou um dos episódios mais controversos da defesa no caso do Banco Master: participou da articulação de um depoimento reservado de Vorcaro ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na ocasião, o ex-banqueiro fez acusações contra integrantes da Polícia Federal e relatou supostos maus-tratos durante sua prisão. O episódio provocou tensão entre integrantes da própria defesa e reação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Viagem de Mendonça a Israel paga pela Conib

Em janeiro de 2024, André Mendonça e outros seis magistrados de instâncias inferiores viajaram para Tel Aviv, em Israel, em uma viagem custeada pela Confederação Conib e pela StandWithUs, ONG voltada à defesa da comunidade judaica.

A viagem foi revelada pelo jornal O Globo. O próprio ministro também confirmou a ida a Israel ao publicar registros e comentários sobre a viagem em suas redes sociais.

No dia 27 de janeiro, data em que é lembrado o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, Mendonça escreveu em seu perfil oficial no X: “Hoje choramos o Holocausto. Os atos da 2ª Guerra foram a banalização do mal. Aqui, em Israel, vi terroristas que mataram pelo prazer de matar; vi o êxtase com o mal. Inacreditável, inaceitável, injustificável e indefensável”.

Prefácio de livro do porta-voz das IDF

Porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) e advogado especializado em direito internacional, Rafael Rozenszajn lançou neste ano o livro “A Guerra de Narrativas”.

Nascido no Rio de Janeiro, Rozenszajn viveu metade da juventude no Brasil antes de imigrar para Israel por volta dos 21 anos. O militar esteve em agosto deste ano em lançamentos do livro no Rio de Janeiro e em São Paulo, a convite do Hillel, organização internacional presente em diversos campi universitários ao redor do mundo, voltada ao fortalecimento da identidade judaica e à promoção da cultura judaica entre estudantes.

O livro tem prefácio do ministro do STF André Mendonça e posfácio de Cláudio Lottenberg, ex-presidente da Conib.

Flávio Bolsonaro anunciou presidente da Conib como ministro

Cláudio Lottenberg é oftalmologista e, além de presidente da CONIB, preside também o Conselho Deliberativo da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e o Instituto Coalizão Saúde. O nome de Lottenberg já foi usado por Flávio Bolsonaro durante a campanha como seu “Posto Ipiranga da pasta da saúde”.

O médico comandou a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, durante a gestão do então prefeito José Serra (PSDB), e integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social durante o governo de Michel Temer (MDB).

Lottenberg também é sócio da Zion MedPharma, empresa que faz produtos com cannabis. A companhia foi criada em parceria com Dirceu Barbano, ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e tem valor de mercado estimado em R$ 60 milhões.

Jair Bolsonaro já havia cotado Lottenberg para assumir a saúde durante a pandemia, mas acabou optando por Nelson Teich, na época, para o lugar deixado pelo então ministro Luiz Henrique Mandetta. Depois, Lottenberg acabou criticando publicamente o desastre da gestão bolsonarista diante da Covid-19. Flávio bolsonaro alega que esse episódio “é passado”.

Fonte
Brasil de Fato
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