Dilma Rousseff lamenta morte de Amelinha Teles e exalta legado da jornalista: ‘Jamais desistiu de lutar’

16/09/2026 às 13:581 visualizzazioni
Amelinha Teles
Amelinha Teles
Brasil de Fato

A ex-presidenta Dilma Rousseff lamentou a morte da jornalista, escritora e militante feminista Amelinha Teles e destacou a trajetória da ativista na resistência à ditadura militar e na defesa dos direitos das mulheres. Em texto divulgado nas redes sociais, na noite desta terça-feira (15), Dilma afirmou que Amelinha foi uma das principais referências brasileiras na luta contra o regime e pela preservação da memória das vítimas.

“Poucas perdas poderiam ser mais dolorosas para todos nós do que a de Amelinha Teles, uma das maiores referências brasileiras na luta contra a ditadura militar e em defesa dos direitos das mulheres”, escreveu a ex-presidenta.

Na publicação, Dilma lembrou que Amelinha foi presa e torturada durante a ditadura e que seus filhos, então com 4 e 5 anos, foram sequestrados por agentes da repressão e levados ao local onde os pais estavam presos. Amelinha foi detida em dezembro de 1972 e levada à Operação Bandeirantes (Oban), em São Paulo, onde relatou ter sido submetida a torturas físicas e violência sexual.

“Amelinha, porém, sobreviveu aos seus algozes e jamais desistiu de lutar”, afirmou Dilma. “Teve atuação fundamental no movimento feminista e na mobilização que garantiu importantes conquistas para as mulheres na Constituição de 1988”, diz o texto.

Amelinha morreu nesta terça, aos 81 anos. A causa da morte não foi informada. A despedida ocorre nesta quarta-feira (16), na Reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista.

Resistência e luta pelos direitos das mulheres

Assim como Amelinha, Dilma integrou a resistência à ditadura militar, foi presa por agentes do regime e sofreu torturas durante o período em que esteve encarcerada.

Na homenagem, a ex-presidenta também ressaltou a atuação de Amelinha pela memória, verdade e justiça. Ao lado de familiares, a militante moveu a ação que levou Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi de São Paulo, a se tornar o primeiro agente da ditadura reconhecido pela Justiça brasileira como torturador.

“Amelinha Teles deixa um exemplo imenso de coragem, coerência e dignidade. Jamais abriu mão de seus princípios, jamais abandonou suas lutas e nunca permitiu que o silêncio encobrisse as violências do passado”, escreveu Dilma.

Maria Amélia de Almeida Teles nasceu em Contagem (MG), em 1944, e iniciou sua militância política ainda jovem. Durante a ditadura, atuou no Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e participou da produção de um jornal clandestino que denunciava as violações cometidas pelo regime.

Depois de deixar a prisão, manteve a atuação política. Participou do Movimento Feminino pela Anistia e do jornal Brasil Mulher e ajudou a fundar a União de Mulheres de São Paulo. Também integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e participou dos esforços para localizar, identificar e responsabilizar os autores de crimes cometidos durante a ditadura.

Sua trajetória também esteve ligada à luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens e ao enfrentamento à violência contra as mulheres. Em 2023, recebeu da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) o título de doutora honoris causa em reconhecimento à sua contribuição à sociedade.

“Amelinha seguirá presente em nossa memória, em nossas lutas e em cada conquista das mulheres e da democracia brasileira”, concluiu Dilma.

Fonte
Brasil de Fato
Apri l'originale ↗
Questa notizia è stata utile?

Dibattiti 0

Sii il primo a contribuire al dibattito.

Condividi le tue informazioni e promuovi il tuo argomento

Non esitare a pubblicare informazioni o dati che possano essere utili.

Per partecipare al dibattito, accedi o crea un account gratuito.