Após ser acusado de forçar companheira a abortar, Guto Zacarias não consegue se eleger em São Paulo

Von Igor Carvalho05/10/2026 às 20:553 Aufrufe
O deputado Guto Zacarias é ligado ao MBL
O deputado Guto Zacarias é ligado ao MBL
Brasil de Fato

Em 2022, Guto Zacarias (Missão-SP) foi eleito deputado estadual com 152.481 votos. Agora, em 2026, perdeu a eleição para deputado federal e teve 41.423. Entre uma corrida eleitoral e outra, o parlamentar foi acusado de ter coagido sua ex-companheira (que terá seu nome ocultado na matéria) a abortar um filho do casal.

O caso, revelado pelo Brasil de Fato em abril deste ano, teria acontecido no primeiro semestre de 2024. A informação consta em uma denúncia oferecida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), no dia 17 de julho de 2025, contra o parlamentar por violência psicológica contra a mulher no âmbito da Lei Maria da Penha.

Na época da denúncia, o parlamentar já era filiado ao Missão, partido fundado pelo Movimento Brasil Livre (MBL). Antes do caso, a sigla tinha a esperança de que Guto Zacarias fosse um dos puxadores de voto, ao lado do deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), ajudando para que o partido conseguisse extrapolar a cláusula de barreira.

Kim Kataguiri conseguiu sair das urnas com 520.071 votos. No entanto, Guto Zacarias não teve votos suficientes para se eleger, e o Missão enfrentará a próxima legislatura com apenas um deputado federal eleito em todo o território nacional.

Entenda

O Brasil de Fato teve acesso ao processo, que corre em segredo de Justiça, e ao Boletim de Ocorrência protocolado pela ex-companheira, no dia 12 de fevereiro de 2025, contra Zacarias por violência psicológica.

De acordo com a denúncia, o deputado, que teve uma relação amorosa com a vítima entre 2021 e abril de 2024, teria, inclusive, sugerido clínicas clandestinas para a jovem realizar o aborto. Zacarias é pré-candidato a deputado federal por São Paulo e faz uso de um discurso conservador em suas plataformas. Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ele já foi vice-líder do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Na denúncia, o Ministério Público afirma que Zacarias teria tentado controlar as ações da jovem por meio de “manipulação, chantagem emocional e constrangimentos reiterados, inclusive durante o estado gestacional da vítima”.

Trechos da denúncia apontam que a ex-companheira de Zacarias passou a enfrentar crises durante a gestação após as ameaças do denunciado. Segundo o documento, “a vítima sofreu com episódios de pânico, insônia, sensação de perseguição e medo constante de que o denunciado pudesse invadir sua residência para forçá-la a interromper a gestação”. O texto também afirma que “a violência psicológica praticada por AUGUSTO foi constante e devastadora”, e que a mulher vivia sob tensão. De acordo com a denúncia, o acusado teria atuado para intimidar e controlar a vítima, provocando abalo emocional.

Em um dos depoimentos à polícia, a vítima chega a afirmar que Zacarias teria sugerido, além de clínicas, outros caminhos para realizar o aborto. “Durante toda a gestação, [houve] essas conversas dele tentando me convencer a não ter [o bebê], a interromper a gravidez”, disse a vítima. “Ele sugeriu que eu tomasse um comprimido e ai eu fiquei com muito medo porque eu falei: ‘Eu não vou tomar nenhum comprimido’ porque acho que eu não queria.” Em outro momento, Zacarias teria sugerido o método de “sucção”.

Ao registrar o Boletim de Ocorrência, a vítima pediu medidas protetivas. Ela relata que, durante a gravidez, passou a temer pela própria vida diante de ameaças frequentes. Em alguns momentos, acordava durante a madrugada com medo de que ele invadisse a casa. O documento ainda indica que houve abandono financeiro durante a gestação, sem apoio à vítima e ao bebê que nasceu no início do ano passado. Diante das ameaças, da pressão psicológica e da ausência de suporte, a vítima solicitou medidas protetivas de urgência por temer por sua integridade e pela segurança da filha.

Outro lado

Na época, a ex-companheira de Guto, em contato com a reportagem, saiu em defesa do deputado estadual. “Guto jamais tentou me forçar a nada. Houve uma briga, houve instabilidade, atravessamos um período difícil e, orientada por um advogado, com quem hoje já não atuo, agi por impulso”, disse. “O que prevaleceu foi o amor e a proteção à nossa filha”, afirmou. A jovem concluiu dizendo que o parlamentar é “um grande pai” e que sua “filha tem uma mãe presente, amorosa e determinada a defender a dignidade e o futuro dela contra qualquer tentativa de destruição”.

Dias após a publicação da denúncia, Guto Zacarias foi às redes sociais se defender. “Eu já pedi perdão para a família da Giovana e já pedi perdão para a Giovana também, porque eu me envergonho”, declarou. O parlamentar também afirmou que o aborto foi um “pensamento pecador” e uma “hipótese absurda”, que teria passado poucas horas depois, “graças a Deus”.

Quelle
Brasil de Fato
Original öffnen ↗
War diese Nachricht nützlich?

Debatten 0

Seien Sie der Erste, der zur Debatte beiträgt.

Teilen Sie Ihre Informationen und fördern Sie Ihr Argument

Zögern Sie nicht, nützliche Informationen zu veröffentlichen.

Um an der Diskussion teilzunehmen, melden Sie sich an oder erstellen Sie ein kostenloses Konto.