A primavera chegou e quem a traz é a juventude

Von Márcio Ayer09/10/2026 às 15:08141 Aufrufe
Estudantes em manifestação no centro do Rio de Janeiro na quarta-feira (7)
Estudantes em manifestação no centro do Rio de Janeiro na quarta-feira (7)
Brasil de Fato

Mudaram as estações e não foi só no calendário. Nesta semana, os estudantes saíram às ruas em massa. No Rio, ocuparam a Candelária e caminharam até a Cinelândia. Encheram praças e avenidas em outros dez estados. Não foi um ato isolado, mas um chamado. É sempre assim: toda grande mobilização começa com quem não aceita o silêncio. E, geralmente, começa com a juventude.

Os jovens não saíram sem propósito. Saíram por Lula, pela democracia, pela educação pública, gratuita e de qualidade, pelo fim da escala 6×1. Saíram contra o retrocesso que pode significar a eleição de Flávio Bolsonaro. Saíram porque entenderam que a política não é coisa de quem já desistiu.

Enquanto a juventude botava o pé na rua, outra coisa floria. No Senado, a PEC que acaba com a escala 6×1 avança com a realização das sessões de discussão exigidas antes da votação em primeiro turno. A jornada pode cair de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário, sem perda de direitos, por mais tempo para viver.

Porque é disso que se trata. Não é só uma proposta de lei, mas um recado. É a certeza de que o trabalho não pode continuar engolindo a vida. É a resposta a quem acha que a gente nasceu para servir, não para viver. É a vitória de quem entendeu que descanso não é preguiça, é direito.

E aí vêm os cães dos patrões. A oposição ao governo, liderada por Flávio Bolsonaro, tentou barrar a votação da PEC no Senado. Não é sobre o que o trabalhador quer. É sobre o que eles querem para o trabalhador. Eles ladram, mas a caravana do fim da 6×1 avança. Assim como a primavera da juventude nas ruas se espalha. A cada conversa na fila do ônibus, a cada panfleto, a cada voto virado, ela se torna mais irresistível.

Como nos versos atribuídos a Neruda, podem cortar todas as flores, mas nunca deterão a primavera. Ela veio nas ruas, nos passos dos estudantes, na PEC que encurta a jornada, no direito de descansar sem culpa.

A passagem das estações é inevitável, e esta é a nossa. No dia 25 de outubro, essa primavera vai virar voto em Lula. Por mais tempo para viver. Pela democracia. Pelo trabalho digno. A primavera chegou e quem a traz é a juventude.

*Márcio Ayer é presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro e Secretário Nacional de Comércio e Serviços da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB).

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

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