
Na foto, João Mesquita, Giulia Damasceno, Lorena Cassimiro, Isabela Almeida, Isabela Paes e o professor Akinori Cardozo Nagato na Universidade de São Paulo.
Pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) conquistaram três Menções Honrosas na edição de 2026 da Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE). O resultado se soma à outra Menção obtida pelo grupo em 2025 totalizando quatro em duas participações consecutivas no congresso.
Os trabalhos reconhecidos em 2026 abordam diferentes frentes de pesquisa, como o desenvolvimento de uma ferramenta computacional para automatizar análises de imagens de imuno-histoquímica pulmonar, os efeitos da hiperóxia associada à inflamação sobre a traqueia e as alterações provocadas pela exposição prolongada ao oxigênio em células da glia no sistema nervoso central.
As pesquisas foram desenvolvidas pelo grupo Ciências Experimentais Aplicadas à Biofísica e Fisiopatologia Pulmonar, vinculado ao Laboratório de Biofísica, Morfofisiologia e Inflamação (BioMorfI) do ICB e ao Centro de Bioterismo Regional (CBR/UFJF). Coordenado pelo professor Akinori Cardozo Nagato, o grupo reúne estudantes de graduação e pós-graduação, docentes, técnicos e pesquisadores de diferentes instituições.
Nas edições de 2025 e 2026 da FeSBE, foram apresentados dez trabalhos científicos, desenvolvidos em diferentes linhas. Participaram dos estudos 11 estudantes, além da equipe formada pelos professores Beatriz Julião Vieira Aarestrup, Frank Silva Bezerra, Fernando Monteiro Aarestrup e Vinicius Rocha, e os técnicos de laboratório Álvaro César Dutra Presto e Mariana da Fonseca Pereira.
A primeira Menção Honrosa foi conquistada em 2025, com um estudo sobre o potencial da terapia com laser de baixa intensidade para estimular a neoformação óssea por meio da redução do número de osteócitos (células ósseas maduras e mais abundantes no tecido ósseo). O trabalho foi apresentado pelo estudante João Alberto de Oliveira Alves e integrou uma das linhas de pesquisa desenvolvidas durante o doutorado de Fabiano Luiz Dulce de Oliveira.
Para o coordenador do grupo as distinções refletem o amadurecimento das pesquisas desenvolvidas pela equipe. “Receber uma Menção Honrosa é motivo de grande satisfação para toda a equipe. Cada trabalho apresentado representa o esforço coletivo de estudantes, técnicos, professores e colaboradores que constroem ciência com rigor, ética e compromisso com a sociedade.”
As Pesquisas reconhecidas em 2026
Um dos trabalhos premiados (Development of a Python Tool for Chromogen Detection in Immunohistochemistry and Automation of Pulmonary Stereology) resultou no desenvolvimento de uma ferramenta computacional capaz de automatizar a detecção de cromógenos em imagens de imuno-histoquímica pulmonar (substâncias químicas que reagem com enzimas acopladas a anticorpos que produzem um precipitado colorido possível de identificar ao microscópio) . A ferramenta foi desenvolvida em Python para realizar a leitura automática de lâminas histológicas. A proposta é reduzir o tempo dedicado às análises e aumentar a replicação dos resultados.
O estudo foi apresentado pelo estudante João Pedro Mesquita representando a equipe formada por Isabela Azevedo de Almeida, Giulia Ferreira Damasceno e Akinori Cardozo Nagato.
Segundo João Pedro, o trabalho surgiu da necessidade de tornar mais ágil uma etapa demorada do trabalho científico. “Atualmente, os métodos tradicionais de contagem exigem muitas horas de trabalho manual e exaustivo por parte dos pesquisadores.”
Outro trabalho reconhecido (Superimposing Hyperoxia on Nebulized Ovalbumin Reduced the Numerical Density of Tracheal Ciliated Cells and Modified the Tracheal Elastosis Profile in Mice) investigou os efeitos da hiperóxia (excesso de oxigênio) associada à inflamação induzida por ovalbumina (proteína encontrada na clara do ovo) sobre a traqueia. A pesquisa analisou células inflamatórias, colágeno, células ciliadas, fibras elásticas e musculatura traqueal.
O estudo analisou se o processo inflamatório provocado pela ovalbumina e a exposição a concentrações elevadas de oxigênio poderiam provocar alterações também nas vias aéreas superiores. No experimento, camundongas foram divididas em cinco grupos para análises histopatológicas e estereológicas que foram realizadas em seções da traqueia, além da avaliação dos cílios por microscopia eletrônica de varredura.
Os resultados mostraram aumento da densidade de células inflamatórias e redução da densidade de volume de colágeno no grupo exposto simultaneamente. Também foi observada redução da densidade de células ciliadas, associada a alterações na estrutura dos cílios.
A pesquisa concluiu que a hiperóxia associada à inflamação provocada pela ovalbumina altera a estrutura das células ciliadas e interfere no comportamento das fibras elásticas da traqueia. A pesquisa foi desenvolvida por Isabela Azevedo de Almeida, Vinicius N. Rocha, Fernando Monteiro Aarestrup, Beatriz Julião Vieira Aarestrup, Frank Silva Bezerra e Akinori Cardozo Nagato.
O terceiro estudo (Hyperoxia increases glial cells number density in olfactory bulb and frontal cortex of BALB/c mice) que investigou os efeitos da exposição prolongada ao oxigênio sobre diferentes tipos de células da glia (células do tecido nervoso que dão suporte, proteção e nutrição aos neurônios) no bulbo olfatório e no córtex frontal. O trabalho foi desenvolvido por Giulia Ferreira Damasceno, Álvaro César Dutra Presto, Fernando Monteiro Aarestrup, Beatriz Julião Vieira Aarestrup, Frank Silva Bezerra e Akinori Cardozo Nagato.
O estudo, realizado a partir de um modelo experimental, deu continuidade a uma investigação apresentada pela equipe na FeSBE de 2025, que havia identificado aumento de células na camada granular do bulbo olfatório.
Foram analisadas três tipos de células da glia: astrócitos, micróglias e oligodendrócitos. Os resultados mostraram aumento dessas células tanto no bulbo olfatório quanto no córtex frontal dos camundongos a partir da exposição prolongada ao oxigênio. A estudante, Giulia Ferreira, destaca que o resultado chama atenção porque os astrócitos, por exemplo, participam ativamente das sinapses nervosas.
Para o professor Akinori Nagato, a importância do trabalho desenvolvido pelo grupo está também na formação dos estudantes que participam dos projetos, desde a elaboração das hipóteses até a análise dos dados e apresentação dos resultados. “A universidade pública cumpre sua missão quando transforma conhecimento em formação de pessoas. Cada estudante que participa de um projeto de pesquisa aprende não apenas técnicas e métodos, mas também desenvolve autonomia intelectual, senso crítico e responsabilidade científica. Esse talvez seja o resultado mais importante que levamos para a sociedade.”

