Estudantes de Psicologia conhecem o trabalho de acolhimento e inclusão no Fórum Clóvis Beviláqua — Insubornavel

Estudantes de Psicologia conhecem o trabalho de acolhimento e inclusão no Fórum Clóvis Beviláqua

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Por EDSON VIANA GOMES03/09/2026 às 19:002 visualizações
Vários jovens posando para foto, em pé e agachados, no memorial do Tribunal
Vários jovens posando para foto, em pé e agachados, no memorial do Tribunal
Tribunal de Justica do Ceara

Ver de perto a rotina de profissionais da Psicologia no âmbito do Poder Judiciário e abrir novos horizontes de atuação. Essa foi a experiência vivida por um grupo de 14 estudantes da Universidade de Fortaleza (Unifor), que participou, nesta quinta-feira (03/09), de uma visita guiada ao Fórum Clóvis Beviláqua (FCB). A iniciativa faz parte do projeto “O Fórum mais próximo da sociedade”, com o objetivo de aproximar a Justiça da população e conscientizar, em especial as pessoas mais jovens, sobre a função social do Poder Judiciário.

A visita começou no Centro Especializado de Apoio às Vítimas (Ceav), espaço essencial para compreender o acolhimento às vítimas por meio de atendimento humanizado e atuação integrada do sistema de Justiça e instituições parceiras. A servidora do Ceav, Camilla de Fátima Almeida Nobre da Silva, conversou com os estudantes e explicou o modelo de assistência integrada que envolve psicólogos, assistentes sociais e assessores jurídicos.

“O Ceav foi instituído por determinação do Conselho Nacional de Justiça para assegurar que as vítimas não sejam vistas apenas como meios de prova em audiências, mas como cidadãos que necessitam de amparo integral a partir do trauma sofrido. Atuamos de portas abertas a qualquer pessoa que tenha sido vítima de crime ou ato infracional, mesmo que não possua um processo judicial em andamento”, explicou a servidora.

Ela ainda apresentou a logística do suporte multiprofissional oferecido pela unidade. “Fazemos o acolhimento inicial e direcionamos para a rede assistencial. Dispomos de suporte jurídico para orientar sobre o andamento e datas do processo – sem peticionar – e atendimento com assistente social para esclarecer dúvidas sobre benefícios previdenciários. Na área de Psicologia, oferecemos até dez atendimentos semanais no formato de plantão, com flexibilidade para sessões virtuais caso a pessoa tenha limitações de locomoção. Também atuamos em projetos com famílias de desaparecidos e damos suporte psicológico nos tribunais do júri, amparando os familiares durante o julgamento”.

Na sequência, o grupo conheceu o Espaço da História FCB, que reúne o passado da Justiça em Fortaleza desde o século XVIII, com maquetes do antigo Palácio da Justiça e da Vila de Fortaleza, e vídeos da inauguração do prédio moderno do Fórum, em 1997. O local ainda conta com homenagens à primeira juíza do Brasil, Auri Moura Costa, e cópia dos papéis do processo histórico de Maria da Penha.

O roteiro incluiu ainda uma visita à Biblioteca Amélia Beviláqua, onde as(os) estudantes aprenderam sobre a trajetória dessa intelectual cearense, pioneira na defesa dos direitos das mulheres no país. Autora de 16 obras literárias e esposa de Clóvis Beviláqua, ela entrou para a história ao se candidatar à Academia Brasileira de Letras em um período marcadamente restritivo ao público feminino.

A Sala de Acolhimento para Pessoas com Autismo (TEA) também esteve no roteiro das(os) universitárias(os). O lugar foi todo planejado para o conforto de crianças e famílias, contando com luzes mais suaves, abafadores de ouvido para evitar barulho, sofás confortáveis e painéis com brinquedos interativos.

 

RESSIGNIFICAR HISTÓRIAS ATRAVÉS DA PSICOLOGIA

 

A segunda etapa do roteiro incluiu a apresentação do Núcleo de Apoio às Varas de Execução Penal (Nuavep) e da Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas (VEPMA). Durante a passagem pelo Nuavep, a psicóloga Tayanna Martins Gomes explicou os programas desenvolvidos pelo Núcleo, como o ‘Justiça de Portas Abertas’ e o ‘Aprendiz da Liberdade’, e o atendimento humanizado aos egressos do sistema prisional por meio de entrevistas psicossociais e de uma escuta qualificada. “Na Psicologia, realizamos atendimentos iniciais e entrevistas psicossociais buscando trazer leveza. Como as histórias de vida já são muito pesadas e fortes, tentamos proporcionar um momento de tranquilidade e acolhimento real, para que eles se sintam de fato integrados”, ressaltou.

Também psicólogo do Nuavep, Matheus de Paula Viana, que atualmente auxilia na transição da unidade para o modelo de Escritório Social, informou que a transição amplia significativamente o conceito e o alcance do atendimento ao público egresso do sistema prisional. “Trazemos a questão de que a pessoa atendida é um sujeito ativo de sua própria história. Pode ser que, com base em nossa análise clínica e social, identifiquemos a necessidade de um encaminhamento específico que ele, em um primeiro momento, não considere prioritário. Nosso papel enquanto psicólogos e assistentes sociais não é impor, mas sim construir uma reflexão conjunta que mostre a importância daquela oportunidade para o seu desenvolvimento”, enfatizou.

Acompanhando a visita dos estudantes, a estagiária de Psicologia do Nuavep, Roberta Costa Lopes da Silva Rodrigues, compartilhou sua experiência de já estar inserida nas atividades diárias do Núcleo e destacou o impacto do projeto para a formação acadêmica. “Essa visita representa uma oportunidade muito importante para os estudantes, porque permite conhecer na prática um espaço de atuação que muitas vezes é pouco explorado durante a graduação. É um momento de troca, aprendizado e aproximação com a realidade profissional, mostrando como a Psicologia pode contribuir dentro do sistema de Justiça.”

As(os) estudantes ainda puderam conhecer a atuação da VEPMA, que foi apresentada pela psicóloga da unidade, Débora Pinho Arruda. Ela explicou às(aos) estudantes como funciona o trabalho do psicólogo dentro do ambiente judicial, detalhando a atuação prática da profissão na promoção da justiça e no atendimento especializado às pessoas que estão envolvidas em processos criminais e na execução de penas alternativas.

Para a psicóloga, esse tipo de intercâmbio institucional é fundamental para a formação dos acadêmicos. “Acredito que é uma forma de aproximar a prática dos estudantes. Eles podem identificar na nossa rotina os elementos que estudam na teoria e, assim, começar a construir sua própria identidade profissional. É um momento muito enriquecedor para todos os envolvidos.”

Aluna do 7º semestre de Psicologia e já graduada em Direito, Camila Rodrigues compartilhou a experiência da visita institucional e as futuras possibilidades de carreiras. “Na faculdade, buscamos entender o comportamento das pessoas envolvidas, seja a vítima ou o acusado, sem julgamentos. A visita está sendo excelente porque estamos vendo na prática as atuações do psicólogo, como perito ou assistente, que ainda nem estudamos na teoria. Ter essa experiência ainda dentro da faculdade é excelente para entender como o indivíduo é olhado e recepcionado aqui, o que abre nosso panorama para caminhos profissionais que antes nem cogitávamos”, avaliou.

Além dela, outros 13 estudantes participaram da visita, além de duas professoras da instituição. O grupo foi conduzido pela colaboradora Ivete Costa de Oliveira, da Seção de Capacitação do FCB (Secap).

 

INSCRIÇÕES NO PROJETO

 

O projeto “O Fórum mais próximo da sociedade” recebe instituições de ensino superior e escolas de Ensino Médio (públicas e privadas). Os agendamentos devem ser solicitados por professores ou coordenadores. Para estudantes de graduação, o agendamento é feito por meio de formulário eletrônico disponível

O projeto também recebe turmas de Escolas de Ensino Médio, públicas ou privadas. Mais informações podem ser obtidas com a Secap pelo telefone (85) 3108‑2366.

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