Filha de Ernesto Che Guevara e da revolucionária Aleida March, a médica cubana Aleida Guevara cresceu próxima de personagens centrais da Revolução Cubana. Entre eles estava Fidel Castro, a quem chamava de “tio”. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, ela relembra essa convivência e fala sobre Cuba dez anos após a morte do líder revolucionário.
Aleida conta que, ainda bebê, ficou sob os cuidados de Celia Sánchez durante os bombardeios que antecederam a invasão da Baía dos Porcos. Um de seus primeiros contatos com Fidel aconteceu nesse período. Mais tarde, ele acompanhou diferentes momentos de sua vida e chegou a se apresentar à filha mais velha de Aleida como “avô Fidel”.
Pediatra, ela também destaca a construção do sistema público de saúde como uma das principais conquistas da Revolução, com base na prevenção, na universalidade e no acesso gratuito. Na entrevista, relembra ainda uma discussão com Fidel sobre o modelo dos médicos de família.
Aleida também comenta o presente cubano. Reconhece as dificuldades econômicas, as dúvidas da população e o risco de aumento das desigualdades. Admite que algumas alternativas adotadas hoje podem se mostrar equivocadas, mas diz que é “preciso dar um voto de confiança” e defende que o país busque novas respostas sem abandonar o socialismo.
“É preciso inventar, é preciso criar, é preciso ver como podemos sair do buraco em que estamos sem nunca perder a perspectiva de uma sociedade socialista”, afirma.
“O povo tem a última palavra”
Ao recordar a morte de Fidel, Aleida descreve uma Cuba mergulhada em um silêncio que nunca havia presenciado. Segundo ela, o líder era visto por parte importante da população também como “pai”, “tio”, “irmão mais velho” e “amigo”.
Na reta final da entrevista, ela trata dos limites das mudanças econômicas em Cuba e dos riscos para a igualdade social, a soberania e o projeto socialista. Aleida diz que as medidas precisarão ser testadas e que a população tem direito a dúvidas e críticas. “O povo tem a última palavra.”
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