De acordo com o relatório do GAO, investigadores constataram que o atirador no comício de campanha em Butler pilotou um drone sobre a multidão por cerca de 11 minutos, coletando informações aéreas que o ajudaram a se posicionar para efetuar os disparos, matando um espectador e ferindo Donald Trump e outras duas pessoas. Isso deixou lacunas operacionais críticas antes da tentativa de assassinato.
Anos antes desse ataque, a agência já havia vivenciado três incidentes de segurança distintos envolvendo aeronaves não tripuladas, incluindo um episódio em dezembro de 2015, quando um drone civil aproximou-se da comitiva do presidente Barack Obama no Havaí, e outro em maio de 2016, quando um operador voou a cerca de 60 metros (200 pés) de altura sobre uma multidão em um comício na Califórnia para o então candidato presidencial Bernie Sanders.
Em janeiro de 2021, agentes também avistaram vários drones perto da cerimônia de posse presidencial em Washington, antes de descobrirem que se tratava de aeronaves autorizadas, operadas pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.
Apesar dessas situações de risco, o Serviço Secreto nunca atualizou suas políticas de proteção para abordar o uso de drones civis — embora tenha definido a responsabilidade interna principal por contramedidas após 2021 — e as autoridades nunca exigiram que os agentes documentassem os motivos pelos quais optaram por não tomar outras providências.
A auditoria do Congresso revelou que, entre os anos fiscais de 2015 e 2025, o Serviço Secreto registrou 83 incidentes de segurança que interromperam as operações normais de proteção, mas implementou atualizações de políticas em resposta a apenas 25 deles (cerca de 30%). Como os agentes não eram obrigados a justificar a manutenção do status quo nos 58 incidentes restantes, os avaliadores internos não dispunham dos registros históricos necessários para identificar riscos operacionais emergentes antes que fossem explorados por adversários.
Essa falha em relação aos drones fazia parte de um padrão mais amplo de negligência organizacional em toda a agência. O relatório revelou que o Serviço Secreto não revisou nem atualizou oito de suas 22 políticas de planejamento prévio dentro do ciclo obrigatório de quatro anos, deixando algumas diretrizes para viagens ao exterior sem revisão desde julho de 2001.
Uma análise anterior do GAO, citada no relatório, também constatou que a equipe de segurança avançada responsável pelo comício em Butler não consultou as políticas do Serviço Secreto, uma vez que as diretrizes eram genéricas e não forneciam detalhes específicos sobre funções e responsabilidades.
A auditoria também expôs falhas persistentes na coordenação interinstitucional entre o Serviço Secreto e o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA, órgãos que compartilham atribuições na proteção de dignitários e líderes estrangeiros em visita ao país.
O memorando de entendimento vigente entre as duas agências não é atualizado desde 1991, apesar da exigência de revisões anuais. Como resultado, o acordo em vigor não traz orientações sobre táticas de combate a drones, omite novas categorias de autoridades com direito à proteção federal e ainda identifica incorretamente o Serviço Secreto como um departamento vinculado ao Departamento do Tesouro dos EUA — mais de duas décadas após sua transferência para o Departamento de Segurança Interna dos EUA, ocorrida em março de 2003.


