"O 7 de setembro, na verdade, é um ato de basta. Então, na verdade, a luta inicial de 7 de setembro é um rompimento entre o Brasil e a constituinte de Lisboa. Só que isso depois vai crescendo até realmente efetivar a independência definitiva, que é sacralizada inicialmente no dia 12 de outubro de 1822, quando D. Pedro I, no dia do seu aniversário, é aclamado imperador do Brasil", disse.
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"Eu falo brincando que parece que quando D. Pedro I gritou a independência, tudo foi resolvido. Mas, na verdade, não resolveu. Na Bahia, só vai ocorrer independência no outro ano, quando expulsarem os portugueses com a ajuda do poder central do Rio de Janeiro. Mas havia também outras lutas armadas [após o 2 de julho] como no Norte do país e na Cisplatina [hoje, Uruguai, mas que pertencia ao Brasil na época]", comenta.
O grito do Ipiranga ocorreu ou é um mito da história?
"Esse quadro do Pedro Américo foi uma encomenda do governo da província de São Paulo. [A imagem] vai colocar D. Pedro com toda a pompa e circunstância, cercado pela guarda de honra. E é claro que não foi daquela maneira. Na verdade, ele proclama duas vezes a independência. Primeiro a um grupo reduzido que estava com ele e depois, quando encontra a sua guarda de honra", destaca.
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"O 7 de setembro trouxe para a gente a criação do brasileiro e o processo de criação da independência. Só durante o governo de D. Pedro II é que realmente vai criar essa ideia de uma nacionalidade. [Antes] o gentílico era mais nas províncias do que uma preocupação de criar um gentílico para quem nasce no Brasil. Então, desde cedo, vão ter os paulistas, os mineiros, os fluminenses, os baianos [etc.]", observa.
Brasil não tem a declaração oficial da independência
"Eu não tiro de forma alguma o papel da Leopoldina como protagonista e todo o trabalho que ela faz na tentativa de reconhecer o Brasil externamente como uma nação independente, mas não existe essa assinatura [decreto de independência]. E tem grupos pró-feminismo, que querem que tenha um documento. Só que não existe esse documento, nunca existiu. Nós não somos como os Estados Unidos", conclui.
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