Com ajuda russa e argelina, Níger barra tentativa de golpe: quem quer desestabilizar o Sahel? — Insubornavel

Com ajuda russa e argelina, Níger barra tentativa de golpe: quem quer desestabilizar o Sahel?

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Yazar O Estrangeiro02/09/2026 às 23:0524 görüntüleme
Presidente do Níger, Abdourahamane Tchiani
Presidente do Níger, Abdourahamane Tchiani
Brasil de Fato

O governo do Níger afirmou que houve uma tentativa de golpe de Estado no último sábado (29), conduzida por um grupo de militares. Segundo o comunicado oficial transmitido pela televisão pública, os golpistas dispararam contra pontos estratégicos de Niamey e tentaram sequestrar militares da Base 101.

A base abriga o quartel-general dos parceiros russos no país e também é sede do Estado-Maior da força unificada da Aliança dos Estados do Sahel (AES), formada por Níger, Burkina Faso e Mali. O episódio acontece em uma região marcada pela disputa entre diferentes projetos de poder e pela crescente presença russa.

Em abril deste ano, houve tentativa de golpe no Mali, com ataques promovidos por jihadistas e, segundo informações da época, financiamento da França. No início do ano, foi o governo anticolonial de Burkina Faso que ficou sob ataque.

O analista geopolítico Hugo Albuquerque explica que o atual governo do Níger é formado a partir de uma aliança militar com setores populares, que derrubaram um governo eleito por uma minoria. “O tipo de democracia que existia era algo como a República Velha no Brasil”, compara o especialista, destacando que era uma democracia de poucos. “Era cerca de um quinto da população do Níger. A maior parte não tinha energia elétrica. E quando a gente fala não tem energia elétrica, é sobre não ter hospital, não ter água, viver em uma situação periclitante, enquanto a França explorava colonialmente, principalmente o urânio do Níger”, relata, ao ressaltar a situação de pauperização da população bastante explorada.

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Albuquerque conta que, atualmente, o governo do Níger precisa lidar com insurgentes da Al-Qaeda e do salafismo, movimento ultraconservador dentro do islamismo sunita, apoiados por “petromonarquias” do Ocidente. Nesse sentido, a atuação da Rússia, segundo o analista, para conter a tentativa de golpe de Estado foi fundamental. Além dos russos, a Argélia, que fica ao norte do Níger, também ofertou apoio aéreo ao país.

“A Rússia mantém um operativo muito importante na Argélia e quatro sukhoi foram, segundo os relatos que a gente tem, mobilizados. Quer dizer, um golpe militar daria errado porque ele não teria força aérea. Então as tropas em solo iam ser bombardeadas e também porque houve uma reação dessas tropas de elite russas, que são os África Corps. Mas a participação da Força Aérea Argelina foi fundamental”, reforça. Além da Rússia e da Argélia, o Qatar também condenou a tentativa de golpe de forma bastante incisiva. “Quem ficou em cima do muro é a favor do golpe”, frisa Hugo Albuquerque.

O repórter de política internacional do BdF, André Lucena, explica que o Africa Corps é uma forma de a Rússia atuar militarmente e em cooperação na região do Sahel, mantendo centenas de combatentes na região. Contudo, o jornalista destaca que a atuação do Africa Corps não pode ser interpretada apenas como um apoio puramente militar. “A gente tem questões fronteiristas muito importantes, principalmente na logística na fronteira com a Argélia, e o Africa Corps fornece aí esse suporte para passagem, seja de caminhão, de outros veículos para trânsito, seja de alimento, seja de itens básicos. Então, é uma ajuda operacional feita diretamente pela Rússia”, conta.

Albuquerque avalia que, em um contexto mais geral, existem fragilidades na região do Sahel, embora minimize a suposta tentativa de golpe. “Eles fizeram um ataque. Não sabemos se esses jovens oficiais, caso realizassem um magnicídio, iriam conseguir estabelecer um governo”, questiona.

Para ele, Burkina Faso é o único país que realmente tem conseguido entregar resultados e, dessa forma, tem o apoio popular para se sustentar. “Ainda é muito difícil entender o que acontece no Mali e no Níger e a capacidade desses governos de conseguirem diminuir essa exploração colonial radical do Ocidente e entregar alguma coisa para o seu povo. E são alguns dos países mais pobres do mundo. Eles não são pobres porque eles são pobres. Eles não são nada pobres em recursos naturais. É o tipo de exploração que opera ali e que foi tolerada”, aponta.

Acompanhe o videocast completo abaixo:

Para ouvir e assistir

O podcast O Estrangeiro vai ao ar semanalmente às quartas-feiras às 15h, disponível nos canais do Brasil de Fato.

Kaynak
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