Astrônomos conseguiram detectar gás hidrogênio a bilhões de anos-luz usando o radiotelescópio MeerKAT, captando sinais emitidos quando o Universo era muito mais jovem. A técnica empregada, conhecida como mapeamento da intensidade do hidrogênio, busca localizar o elemento mais abundante do cosmos para reconstruir a estrutura em larga escala do Universo.
O hidrogênio neutro emite a chamada linha de 21 centímetros, um sinal de rádio extremamente fraco que é esticado conforme o Universo se expande. Esse desvio para o vermelho permite determinar há quanto tempo a luz viaja até nós e situar cada emissão no período cósmico em que foi produzida, oferecendo um marcador temporal valioso para estudos de evolução do Universo.
Com essa linha de 21 centímetros, o mapeamento de intensidade possibilita rastrear emissões de galáxias invisíveis e montar uma imagem tridimensional das maiores estruturas cósmicas. Até agora, porém, a técnica dependia de combinar dados de rádio com levantamentos ópticos, o que limitava sua autonomia e precisão.
© Foto / SKA South AfricaVista aérea da rede de radiotelescópios MeerKAT da África do Sul

Vista aérea da rede de radiotelescópios MeerKAT da África do Sul
© Foto / SKA South Africa
A nova pesquisa rompe essa dependência ao construir um mapa apenas com ondas de rádio captadas pelo MeerKAT, um conjunto de 64 antenas no Cabo Setentrional, na África do Sul. Segundo a equipe, isolar esse sinal fraco em meio a interferências e emissões de primeiro plano representa um marco que demonstra a maturidade da técnica.
Foram analisadas cerca de 96 horas de observações, revelando hidrogênio emitido há 4 a 5 bilhões de anos, distribuído por distâncias comparáveis ao intervalo entre a Via Láctea e Andrômeda. O resultado reforça o potencial do método para investigar como galáxias se formam e como a matéria se organiza em escalas gigantescas, medindo o sinal coletivo do hidrogênio em grandes volumes cósmicos.
Pesquisadores destacam que o hidrogênio neutro é essencial para compreender a evolução galáctica e que o mapeamento de intensidade permite estudar regiões vastas sem identificar cada galáxia individualmente. Isso abre novas possibilidades para sondar tanto a distribuição da matéria quanto a história do Universo.
O avanço também prepara o terreno para futuros levantamentos, especialmente quando o Observatório SKAO entrar em operação. Para a equipe, o fato de o MeerKAT extrair esse sinal mesmo sem ter sido projetado para tal demonstra o valor científico de seus dados e indica um caminho promissor para a próxima geração de estudos cosmológicos.


