A SATS, maior operadora de carga aérea do mundo, registrou forte aumento de receita impulsionado pelo envio de máquinas e materiais por empresas de energia dos EUA ao Oriente Médio, destinados à reparação de oleodutos e infraestrutura danificada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã. Falando à mídia britânica, o CEO Kerry Mok afirmou que a companhia chegou a fretar até 50 voos semanais devido à demanda extraordinária.
De acordo com a mídia, a empresa, sediada em Cingapura, passou a ser vista pelo mercado como um termômetro das mudanças nas cadeias globais de suprimentos, se beneficiando da migração do transporte marítimo para o aéreo, que reduz prazos e atende à urgência das empresas de energia de Houston e Dallas.
No trimestre encerrado em junho, a SATS registrou alta de 11,3% na receita, com as Américas crescendo 15,4% graças ao aumento das remessas de alto valor e entrega rápida. O lucro líquido subiu 6%, para US$ 55 milhões (mais de R$ 305 milhões), embora a empresa enfrente custos maiores por interrupções de voos e inflação energética.
Além da demanda ligada ao conflito no Oriente Médio, a empresa também se beneficia do boom global da inteligência artificial (IA). Grandes companhias de tecnologia têm optado pelo transporte aéreo para enviar equipamentos essenciais a data centers, como racks de servidores, sistemas de armazenamento e GPUs.
Mok afirmou à mídia europeia que a construção de data centers exige cronogramas rígidos, o que torna o transporte aéreo crucial. A tendência acompanha investimentos estimados em US$ 7 trilhões (aproximadamente R$ 38,5 trilhões) até 2030, impulsionando receitas de carga de outras companhias aéreas, como Korean Air e Japan Airlines.
Segundo o CEO, o investimento maciço em infraestrutura de IA representa "um grande impulso" para a empresa, que vê na combinação entre guerra, reconfiguração logística e expansão tecnológica uma janela de crescimento sem precedentes.
A SATS, originalmente parte da Singapore Airlines, foi desmembrada em 2009. Sob Mok, que assumiu em 2021, a empresa consolidou sua liderança global ao adquirir a Worldwide Flight Services por € 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,7 bilhões). Hoje emprega 57 mil pessoas e opera em 27 países.


