Islândia é um dos países mais ricos da região e não tem interesse em entrar na União Europeia, diz analista

Por José Bernardes05/09/2026 às 00:164 visualizações
Apoiadores do "Não' durante a campanha do plebiscito. (foto: Jonathan Nackstrand/AFP)
Apoiadores do "Não' durante a campanha do plebiscito. (foto: Jonathan Nackstrand/AFP)
Brasil de Fato

Depois de consultar a população sobre um possível ingresso na União Europeia, a Islândia recebeu uma negativa. Mais de 80% dos islandeses participaram do plebiscito no dia 29 de agosto e 53% votaram “não”. O país havia iniciado sua tentativa de ingressar no bloco em 2009, em meio a uma crise econômica.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Florence Poznanski explica que a Islândia é bastante dependente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no que diz respeito a políticas de proteção. A negativa de ingresso por voto popular é uma notícia pior para o bloco europeu, segundo a analista. “Islândia é hoje um dos países mais ricos da região e, por isso, tem pouco interesse em entrar na União Europeia”, resume.

Além disso, os países que compõem o bloco vivem período de crises, com aumento de pobreza e redução do bem-estar social, até pouco tempo uma marca dos europeus. “É o caso da Alemanha, da França, de Luxemburgo, da Suécia, da Noruega e até da Suíça, que, portanto, mesmo não sendo membro do bloco, participa dessa realidade. Isso mostra de fato que esses países que tinham até então um nível de estabilidade econômica e social, com um estado de bem-estar, uma instrução de defesa dos direitos humanos, estão se fragilizando em relação a isso”, explica. “Isso é muito preocupante.”

Poznanski avalia que o governo Donald Trump e a série de tensões em que o bloco europeu se envolveu por conta dos Estados Unidos têm também sua parcela de responsabilidade na crise em que muitos países europeus vivem hoje. Um impacto para a área energética na região é justamente a guerra na Ucrânia, já que muitos dos países do bloco dependiam do gás russo. “Com o boicote, os preços aumentaram. É o mesmo que acontece no Estreito de Ormuz com o aumento do petróleo”, cita.

“O grande problema é que os EUA têm uma agenda própria de resolução desse conflito. Nesse contexto, a União Europeia está tentando um protagonismo que ela não consegue ter. Isso cria um enfraquecimento importante”, pondera.

Na tentativa de se aproximar da diplomacia estadunidense, em meio às taxas aplicadas por Trump, a União Europeia não tem conseguido êxito. “Esse movimento acaba enfraquecendo ainda mais a autonomia, o protagonismo europeu e alimentando ainda mais essa postura de guerra dos EUA. Então, de fato, a União Europeia está muito enfraquecida, inclusive internamente”, ressalta.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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