Os preços do diesel nos EUA voltaram a subir com força e já ultrapassam o pico registrado no início da guerra com o Irã, aproximando-se do recorde histórico de 2022. O valor médio nacional chegou a US$ 5,783 (R$ 29,50) por galão, segundo a Associação Americana de Automóveis (AAA), ficando a poucos centavos da máxima atingida durante a crise energética por ocasião das sanções unilaterais da União Europeia (UE) à Rússia depois do início da operação militar especial na Ucrânia.
Analistas afirmaram à mídia norte-americana que, mantida a trajetória atual, o diesel deve bater um novo recorde até o Dia do Trabalho nos EUA — celebrado na primeira segunda-feira de setembro (7). A escalada reflete a combinação de tensões no Oriente Médio e ataques ucranianos a refinarias russas, que levaram Moscou a suspender exportações e pressionaram ainda mais o mercado global.
O impacto é amplo porque o diesel é essencial para setores como transporte, agricultura, geração de energia e aquecimento. Quando esse combustível sobe, a percepção de inflação entre consumidores também se intensifica, ampliando preocupações econômicas e políticas.
A alta representa um desafio para o presidente norte-americano, Donald Trump, que enfrenta críticas sobre o custo de vida às vésperas das eleições de meio de mandato. Em resposta, o governo pressionou refinarias a elevar a produção doméstica de diesel e gasolina, em uma tentativa de aliviar o mercado.
A Reserva Federal (Fed) dos EUA acompanha o movimento com atenção. O presidente Kevin Warsh alertou que o ritmo de aumento dos preços não mostra sinais claros de desaceleração, indicando que o banco central pode ter de agir para conter pressões inflacionárias persistentes.
Ainda segundo a apuração, os estoques de diesel nos EUA estão no nível mais baixo já registrado para esta época do ano, segundo a Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês). A situação é ainda mais crítica na Costa Leste, onde o óleo de aquecimento — praticamente equivalente ao diesel — é amplamente utilizado, elevando o risco de escassez com a chegada do período de maior demanda.
No cenário internacional, o impasse entre Washington e Teerã reduziu drasticamente o fluxo pelo estreito de Ormuz, que em tempos de paz movimenta um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo. A Rússia, antes responsável por cerca de 10% das exportações globais de diesel, mantém sua proibição até pelo menos 30 de setembro.
A disparada dos preços, porém, beneficia as refinarias. As margens de lucro na produção de diesel nos EUA ultrapassaram US$ 100 (R$ 510) por barril, impulsionando ações de empresas como Marathon Petroleum e Valero, que mais que dobraram de valor ao longo do ano.


