RD Congo precisa de mais 5 mil profissionais de saúde para conter crise de ebola

09/09/2026 às 12:000 visualizações
Profissionais de saúde se reúnem em um centro de tratamento de ebola em Bunia, no leste da República Democrática do Congo.
Profissionais de saúde se reúnem em um centro de tratamento de ebola em Bunia, no leste da República Democrática do Congo.
Foto: ©OMS/Grainne Harrington / ONU Noticias
RD Congo precisa de mais 5 mil profissionais de saúde para conter crise de ebola
9 Setembro 2026 Saúde

Organização Mundial da Saúde ressalta que 4 mil já trabalham em centros de tratamento, mas número precisa mais do que dobrar; plano de resposta lançado pelo governo requer US$ 1,3 bilhão para os próximos seis meses.

O surto de ebola continua se expandindo na República Democrática do Congo, RD Congo, com 6 mil casos confirmados e 3.175 mortes relatadas. 

No início da crise, a maior parte dos pacientes estava concentrada na província de Bunia, mas agora a doença se espalhou pela nação africana.

Necessidade por 1,6 mil leitos adicionais

Para tentar frear o avanço do vírus bundibugyo, já foram estabelecidos 59 centros de tratamento, com 1,4 mil leitos. 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, que apoia os esforços, afirma que ainda são necessários outros 1,6 mil leitos para atender às crescentes
necessidades. 

Segundo a agência, cerca de 4 mil profissionais de saúde estão trabalhando nos centros de tratamento existentes, mas ainda é necessário contratar mais 5 mil. 

As unidades de atendimento podem ser construídas rapidamente, mas a contratação, o treinamento e o suporte de novos funcionários demandam tempo. 

De acordo com a OMS, administrar um centro de tratamento com 50 leitos custa cerca de US$ 500 mil por mês.

©OMS/Grainne Harrington Profissionais de saúde se reúnem em um centro de tratamento de ebola em Bunia, no leste da República Democrática do Congo.
©OMS/Grainne Harrington Profissionais de saúde se reúnem em um centro de tratamento de ebola em Bunia, no leste da República Democrática do Congo.
©OMS/Grainne Harrington Profissionais de saúde se reúnem em um centro de tratamento de ebola em Bunia, no leste da República Democrática do Congo.

Pedido de US$ 1,3 bilhão para os próximos seis meses

Na última sexta-feira, o Governo da RD Congo, em parceria com a OMS, o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças e outras entidades, lançou um plano multissetorial revisado de resposta ao ebola, que requer US$ 1,3 bilhão para os próximos seis meses.

O plano prevê uma ampla expansão das atividades de vigilância, rastreamento de contatos, tratamento, engajamento comunitário e preparação.

Em um país afetado por grandes necessidades humanitárias, o desafio não é apenas encontrar profissionais de saúde para serem treinados, mas também garantir a continuidade dos serviços essenciais para outras doenças. 

Epicentro da epidemia também sofre com insegurança alimentar

A região leste da RD Congo é instável há muitos anos. O diretor do Programa Mundial de Alimentos, WFP, no país visitou a província de Ituri, o epicentro do surto, e constatou como anos de conflitos, deslocamentos e falta de acesso a alimentos afetaram as comunidades locais.

David Stevenson afirmou que a assistência alimentar deve ser parte integrante da resposta à doença. 

Ele explicou que Ituri é um local onde mais de 500 mil pessoas enfrentam níveis de fome e insegurança alimentar classificados como nível 4, apenas um degrau abaixo da mortalidade por inanição. Portanto, as necessidades são críticas, justamente no local considerado o epicentro da epidemia.

As necessidades humanitárias em todo o país continuam imensas. O Plano de Resposta Humanitária, orçado em US$ 2,1 bilhões, conta com financiamento de apenas cerca de metade desse valor.

A RD Congo já enfrentou o ebola 17 vezes desde que o vírus foi descoberto, há cerca de 50 anos. 

Fonte
ONU Noticias
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