China e Egito defenderam a criação de um Estado palestino independente e soberano, delimitado pelas fronteiras de 1967 e tendo Jerusalém Oriental como capital. A declaração veio em nota conjunta publicada na quarta-feira (2), no encerramento da visita de Estado do presidente Xi Jinping ao Cairo, onde se reuniu com seu homólogo, Abdel Fattah Al-Sisi
Os governos rejeitaram qualquer iniciativa voltada ao deslocamento forçado do povo palestino e reiteraram o apoio ao mandato da UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos no Próximo Oriente).
No documento, os dois países expressaram preocupação com a “perigosa escalada das ações de Israel na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, incluindo altos níveis de violência de colonos, apropriações de terras e construção de assentamentos”. Ambos reafirmaram a necessidade de preservar a integridade do território palestino.
Esta foi a primeira visita oficial de Xi Jinping ao país africano em dez anos e resultou também na assinatura de mais de 20 acordos de cooperação em setores como ciência, tecnologia, transporte, energia, educação e economia digital.
Na área econômica, China e Egito concordaram em usar mais moedas locais para suas trocas comerciais e investimentos.
Segurança no Ásia Ocidental
Durante reunião com o presidente egípcio, Xi apresentou uma proposta de quatro prontos para a arquitetura de segurança regional da região do Oriente Médio ou Ásia Ocidental.
O primeiro é a rejeição à interferência externa: os povos da região devem ser os protagonistas de seus próprios assuntos, afirmou o mandatário chinês, segundo a o canal estatal chinês CCTV. O segundo defende soluções amplas, com a questão palestina no centro de qualquer arranjo de paz duradouro. O terceiro aponta o desenvolvimento como base para a segurança, incluindo a proteção das rotas de navegação internacionais. O quarto propõe fortalecer a coordenação multilateral com base na Carta da ONU e no direito internacional. Nesse ponto, o mandatário afirmou que as potências externas devem abandonar o duplo padrão na região.
Al-Sisi agradeceu a posição “consistente, objetiva e imparcial” da China sobre a questão do Oriente Médio, e disse que o Egito manterá a coordenação diplomática com a China para aliviar os conflitos na região.
Laços diplomáticos que remontam a Bandung
O encontro marcou também sete décadas de relações bilaterais. Em 1956, o Egito tornou-se o primeiro país do mundo árabe e do continente africano a reconhecer formalmente a República Popular da China. O reconhecimento veio sob a liderança egípcia de Gamal Abdel Nasser, que havia construído boas relações no anterior com o primeiro-ministro chinês Zhou Enlai durante a Conferência de Bandung, a primeira grande reunião de caráter anticolonial de lideranças de 29 países da Ásia e da África.
Os dois governos se comprometeram a aprofundar a integração da Iniciativa Cinturão e Rota com o plano Egito Visão 2030 e a ampliar a voz do Sul Global nos fóruns multilaterais, incluindo a ONU, o Brics (ao qual o Egito se somou em 2024) e o G20.
Houve também acordo em incentivar o uso de moedas locais nas trocas comerciais e em continuar apoiando a Zona Econômica e Comercial Sino-Egípcia de Suez, espaço criado em 2008 que abriga mais de duzentas de empresas e gera cerca de 10 mil postos de trabalho diretos no Egito. Os dois países concordaram em priorizar investimentos em inteligência artificial, transição energética (eólica e solar), veículos elétricos e tecnologia digital.
