Encontro de Capoeira Angola reúne grupos de Pernambuco em programação de três dias em Paulista — Insubornavel

Encontro de Capoeira Angola reúne grupos de Pernambuco em programação de três dias em Paulista

Por Fátima Pereira04/09/2026 às 19:198 visualizações
Encontro segue até o próximo domingo (6)
Encontro segue até o próximo domingo (6)
Brasil de Fato

A 2ª edição do Encontro de Capoeira Angola de Pernambuco começa nesta sexta-feira (4), às 18 horas, na 2ª Travessa Joaquim Nabuco, no bairro de Sítio Fragoso, em Paulista, Região Metropolitana do Recife. Com o tema “Aquilombamento Futurista”, o evento segue até domingo (6) e reúne mais de dez grupos em uma programação dedicada à capoeira angola, à musicalidade, à tradição oral, à ancestralidade e à valorização da identidade afro-brasileira. A inscrição para participar das atividades custa R$ 50.

Realizado de forma independente pela Escola de Capoeira Angola Ngolo Bantus, com apoio do Museu Independente da Capoeira Angola de Pernambuco (Micape), o encontro propõe três dias de atividades que aproximam arte, educação, cultura e pertencimento. A programação inclui rodas de capoeira, oficinas, momentos de conversa, práticas musicais e percussivas, além de refeições compartilhadas.

A abertura, na sexta-feira, acontece das 18h às 20h30, com uma roda de Capoeira Angola e uma roda de conversa. No sábado (5), as atividades começam às 8h e seguem até as 17h30, com musicalidade, prática de berimbau, feijoada, roda de conversa e roda de capoeira angola. Já no domingo (6), também das 8h às 17h30, estão previstas oficina de percussão, atividades de musicalidade geral, lanche e uma roda de conclusão.

Participam da iniciativa os grupos Ngolo Bantus, Micape, Pernambuco Capoeira Angola, Mandingueiros de Olinda, Ngolo Nguzu, Capoeira Angola Braço de Maré, Quilombo Semear, Mocambo dos Angoleiros, São Bento Pequeno, Capoeira Angola Comunidade e Coletivo Pedagógico Capoeira Angola de Rua. A maior parte dos coletivos é de Pernambuco. A exceção é o Mocambo dos Angoleiros, de Alagoas, que participa da programação, promovendo uma conexão entre os dois estados.

O encontro também abre espaço para mestres e mestras da Capoeira Regional de Pernambuco. Segundo o mestre Alexandre Ferreira, da Escola Ngolo Bantus, a proposta é reunir diferentes dimensões da tradição da capoeira, incluindo a transmissão de conhecimentos por meio da oralidade e da memória.

“A maioria absoluta dos grupos envolvidos com o ‘Encontro de Capoeira Angola’ é de Pernambuco, reunindo capoeiristas angoleiros. Também tem uma representação alagoana, fazendo uma conexão entre estados nordestinos. Entre as atividades estão aulas de capoeira e percussão, momentos da tradição oral como prática cultural para o repasse do saber, por meio da oralidade, memória e conhecimento, a partir das rodas de diálogo, e diversos movimentos de rodas de capoeira. Além disso, uma feijoada e lanches para reforçar que alimento é necessário e sagrado”, destaca.

O tema desta edição, “Aquilombamento Futurista”, parte da ideia de fortalecer vínculos coletivos e reconhecer a história de resistência da população negra. Para o mestre Tony Santos, conhecido artisticamente como Tony Ameixa, o evento também funciona como espaço de troca e construção coletiva a partir da relação com o território.

“Esse encontro tem a ver com aquilobamento e reconhecimento da identidade racial, que são frutos da história de luta e da resistência afro-brasileira. É importante sempre lembrar que a Capoeira Angola é a raiz mais tradicional da capoeira, com influências africanas, de fundamento ancestral e que também é reconhecida como arte”, afirma.

A Escola de Capoeira Angola Ngolo Bantus foi criada pelo mestre Alexandre Ferreira. Já o Micape foi fundado em 2017 pelos mestres Tony Santos e Sapo. Além da atuação na capoeira, Tony Santos desenvolve trabalhos nas áreas de produção audiovisual e cultural, música, percussão, dança, artesanato e educação.

Fonte
Brasil de Fato
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