‘Soberania se torna tema fulcral nas eleições’, diz cientista política sobre discurso de Lula

Por José Bernardes07/09/2026 às 19:415 visualizações
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acena ao lado da primeira-dama, Rosângela da Silva, durante o desfile militar das comemorações do Dia da Independência, em Brasília, em 7 de setembro de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acena ao lado da primeira-dama, Rosângela da Silva, durante o desfile militar das comemorações do Dia da Independência, em Brasília, em 7 de setembro de 2026.
Brasil de Fato

O 7 de setembro deste ano acontece em meio a uma das maiores crises da história do Supremo Tribunal Federal (STF), com ministros envolvidos na maior fraude financeira da história recente do país, o caso do Banco Master. Apenas o presidente do STF, Edson Fachin, esteve nos atos do Dia da Independência, em Brasília (DF). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) procurou não dar destaque aos episódios, adotando um discurso firme de defesa da soberania. Em seu pronunciamento no domingo (6), chegou a dizer que o Brasil “não será colônia de ninguém”.

A cientista política Mayra Goulart, professora na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que o atual momento é de inflexão e que as acusações envolvendo ministros são graves e têm respaldo factual. “Não cabe a nós sair em defesa cega dos ministros enquanto pessoas. É diferente defender o papel do Supremo Tribunal Federal, no qual sua existência pode servir para impedir graves atentados à democracia, aos direitos humanos e aos princípios constitucionais. O fato de a gente defender o papel constitucional do Supremo é diferente de defender ministros que adotam condutas indefensáveis, como foi o ministro Alexandre de Moraes”, avalia ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Para Goulart, Lula acerta no discurso em defesa da soberania, porque existe um risco real de ingerência do governo Donald Trump sobre o nosso processo eleitoral. “Essa eleição deve ser definida por uma margem muito estreita de votos, e isso pode abrir margem para uma não aceitação por parte dos Estados Unidos do resultado eleitoral, que pode levar a instigar esses grupos golpistas que não foram desmobilizados, eles não foram desaparelhados”, ressalta.

Segundo a cientista política, “há células golpistas que podem ser alimentadas por um posicionamento ambíguo e insuflador por parte do governo americano”. “Esse é um risco real”, reforça. “Acho que, nesse ponto, o tema da soberania se torna fulcral nas eleições. Mais do que uma discussão sobre tarifas, agora a gente vai ter uma discussão sobre a aceitação ou não do resultado eleitoral”, pontua.

Mayra Goulart também destaca as reiteradas tentativas de Flávio Bolsonaro (PL) de procurar criar um discurso de envolvimento de Lula com o Banco Master, sendo ele um dos maiores implicados no escândalo com relações evidentes com o banqueiro Daniel Vorcaro. Nesse sentido, a professora afirma que é importante focar em dois pontos nessa contra-narrativa. “Acho que é preciso falar de valores. Os valores mobilizados no suposto financiamento do filme ‘Dark Horse’ são muito exorbitantes. E falar também que Alexandre de Moraes não é em nada ligado ao presidente Lula. Não há ligações entre Alexandre de Moraes e o presidente Lula. Não há qualquer indício de envolvimento do presidente Lula com qualquer dinâmica envolvendo Vorcaro. É preciso comunicação mais inequívoca, deixando claro que o escândalo do Banco Master não tem correlações com o governo”, afirma.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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