Queimadas na Amazônia ajudam a explicar impactos dos aerossóis na atmosfera do Sul do Brasil — Insubornavel

Queimadas na Amazônia ajudam a explicar impactos dos aerossóis na atmosfera do Sul do Brasil

Chanzo: Universidade Federal de Santa MariaFungua katika chanzo asilia ↗
02/09/2026 às 11:051 maoni
UFSM foi uma das organizadoras do “Amazonia Summer School” em Santarém (PA)
UFSM foi uma das organizadoras do “Amazonia Summer School” em Santarém (PA)
Universidade Federal de Santa Maria
UFSM foi uma das organizadoras do “Amazonia Summer School” em Santarém (PA)
UFSM foi uma das organizadoras do “Amazonia Summer School” em Santarém (PA)
UFSM foi uma das organizadoras do “Amazonia Summer School” em Santarém (PA)

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) participou da organização da Amazonia Summer School (AMASS) 2026, realizada em Santarém (PA), que reuniu pesquisadores e estudantes brasileiros e estrangeiros para discutir os impactos dos aerossóis atmosféricos, das queimadas e das mudanças climáticas na Amazônia.

O evento, realizado entre os dias 9 e 15 de agosto, contou com a participação de dois professores e seis estudantes da Universidade e buscou ampliar a cooperação científica entre instituições brasileiras e francesas.

Aerossóis e as transformações na atmosfera amazônica

Os aerossóis atmosféricos são partículas sólidas ou líquidas suspensas na atmosfera que podem ter diferentes origens. Eles não possuem uma composição única e podem ser formados por diferentes materiais presentes na atmosfera. Na Amazônia, as queimadas são uma importante fonte dessas partículas, durante a combustão da biomassa, são liberados gases e partículas, incluindo carbono disperso na forma de fuligem fina. Parte desses gases também pode se combinar quimicamente na atmosfera e formar aerossóis, que podem ser transportados pelos ventos para outras regiões da América do Sul.

A presença desses materiais interfere em diferentes processos atmosféricos. Os aerossóis interagem com a radiação solar, podendo absorvê-la ou refleti-la, e também atuam como núcleos de condensação para a formação de nuvens. Com isso, podem influenciar o regime de chuvas, a quantidade de radiação que chega à superfície e o desenvolvimento de tempestades.

“Os aerossóis atmosféricos são extremamente importantes, porque eles interagem muito com a radiação solar, então eles absorvem ou refletem a radiação”, explica a professora e pesquisadora da UFSM na área de Química da Atmosfera Damaris Pinheiro.

As queimadas também provocam alterações na composição da atmosfera ao liberar gases e partículas resultantes da combustão da biomassa. Quando incorporados às nuvens, esses materiais podem modificar o tamanho das gotas e o conteúdo de gelo, alterando a formação e a intensidade das tempestades. Segundo o professor do curso de Meteorologia da UFSM Wagner Anabor, essas alterações são um dos aspectos que ainda precisam ser melhor compreendidos pela pesquisa científica.

Apesar dos avanços nas pesquisas, ainda existem questões que precisam ser respondidas sobre a influência dos aerossóis. “Nós ainda não sabemos, realmente, como e qual a quantidade desses aerossóis é significativa para impactar de maneira substancial as tempestades”, afirma Anabor.

Para compreender essas relações, a realização de observações diretamente na Amazônia é fundamental. Embora existam pontos de monitoramento de longo prazo na região, a quantidade de dados de superfície ainda é limitada diante das dimensões do território. Os registros obtidos em campo também permitem validar informações provenientes de satélites e modelos numéricos.

Essas observações são especialmente importantes para pesquisas que buscam acompanhar o deslocamento das partículas liberadas pelas queimadas e compreender como elas se transformam ao longo do caminho até outras regiões da América do Sul.

AMASS reúne pesquisadores e estudantes em Santarém

É nesse contexto que a Amazonia Summer School (AMASS) 2026 reuniu pesquisadores e estudantes brasileiros e estrangeiros em torno do estudo da atmosfera amazônica e de suas relações com as mudanças climáticas. Organizada pela a Université de La Réunion (Universidade da Ilha da Reunião, uma instituição francesa no Oceano Índico) e pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), em parceria com a UFSM, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e a Universidade Regional do Cariri (URCA), a iniciativa contou com o apoio da Embaixada da França no Brasil.

Ao longo do evento, foram discutidos temas como aerossóis atmosféricos, queimadas, mudanças climáticas, radiação ultravioleta, camada de ozônio, saúde e ciclo hidrológico. A programação também contou com atividades de formação em tratamento de dados atmosféricos, inteligência artificial aplicada às ciências atmosféricas e modelagem atmosférica.

Segundo a professora Damaris, entre 50 e 60 pessoas participaram das atividades ao longo do evento. Além dos estudantes e pesquisadores brasileiros, a programação reuniu participantes de países como França, Madagascar, Moçambique, Peru e Colômbia.

Os participantes também visitaram o Observatório da Amazônia, em Santarém, onde estão instalados equipamentos voltados ao monitoramento da atmosfera. O espaço reúne projetos de diferentes instituições internacionais e contribui para ampliar a produção de dados sobre a região.

A programação incluiu ainda atividades de campo e visitas a locais de observação na Amazônia. Para Wagner Anabor, a experiência permite aproximar os pesquisadores da realidade que é objeto dos estudos. “Isso é extremamente importante porque tira essa ciência que ocorre dentro dos escritórios e coloca ela próxima da realidade”, explica.

Além da formação científica, a experiência de campo permitiu que estudantes e pesquisadores conhecessem diretamente os locais e as condições em que os dados são coletados, aproximando a pesquisa da realidade amazônica.

Participantes puderam conhecer as estruturas e os trabalhos desenvolvidos por diferentes grupos de pesquisa
Participantes puderam conhecer as estruturas e os trabalhos desenvolvidos por diferentes grupos de pesquisa
Participantes puderam conhecer as estruturas e os trabalhos desenvolvidos por diferentes grupos de pesquisa

UFSM coordena projeto que deu origem à iniciativa

A participação da UFSM na AMASS está relacionada ao projeto AEROBI, voltado à investigação dos aerossóis derivados da queima de biomassa e de seus impactos na atmosfera da América do Sul. A universidade realiza a coordenação brasileira da iniciativa, que reúne instituições do Brasil e da França. “Sem a UFSM, a Escola de Verão da Amazônia não teria saído”, afirma Damaris Pinheiro. Segundo ela, a realização do evento foi resultado das articulações entre os pesquisadores envolvidos no projeto e a Embaixada da França no Brasil, que financiou a iniciativa.

A escolha de Santarém também esteve relacionada à presença do Observatório da Amazônia, criado pela UFOPA. O projeto AEROBI instalou equipamentos no local e, durante a Escola de Verão, os participantes puderam conhecer as estruturas e os trabalhos desenvolvidos por diferentes grupos de pesquisa.

A cooperação entre a UFSM e instituições francesas, entretanto, antecede a AMASS. As pesquisas conjuntas começaram em 2015 e, ao longo de mais de uma década, passaram por diferentes temas relacionados à química da atmosfera. Os primeiros trabalhos tiveram como foco o ozônio atmosférico e, posteriormente, passaram a incluir estudos sobre aerossóis, queimadas e mudanças climáticas.

A parceria também tem impacto na formação acadêmica. Estudantes brasileiros já tiveram a oportunidade de realizar parte de sua formação na França, enquanto pesquisadores e estudantes franceses vieram ao Brasil para desenvolver estudos relacionados à modelagem atmosférica e à observação de aerossóis. A cooperação resultou ainda na formação de doutores em regime de cotutela, com titulação por instituições brasileiras e francesas.

Os estudos desenvolvidos a partir dessa cooperação também permitem observar a relação entre os fenômenos atmosféricos da Amazônia e outras regiões da América do Sul. As partículas liberadas pelas queimadas podem ser transportadas pela atmosfera por longas distâncias, alcançando o Sul do Brasil, inclusive o Rio Grande do Sul.

Essa relação faz com que o monitoramento da atmosfera amazônica também tenha importância para pesquisas realizadas na UFSM. O acompanhamento do deslocamento dessas partículas permite investigar como os aerossóis provenientes das queimadas podem chegar à região e interferir nas condições atmosféricas locais.

Observatório permanente do clima

Na UFSM, a ampliação das observações atmosféricas também está entre as iniciativas relacionadas a esse trabalho. A universidade pretende estabelecer um observatório permanente do clima voltado à realização de observações atmosféricas de longo prazo. A iniciativa deverá permitir o acompanhamento das condições atmosféricas por períodos de 10, 15, 20 anos ou mais, contribuindo para a identificação de transformações e para o estudo dos impactos dos aerossóis.

O espaço também poderá ser utilizado para acompanhar a presença de partículas provenientes de queimadas na atmosfera e comparar períodos de maior e menor concentração de aerossóis. A proposta é ampliar a produção de dados de longo prazo, uma das necessidades apontadas pelos pesquisadores para compreender as transformações da atmosfera.

Para além da realização da Escola de Verão, a expectativa é que a aproximação entre pesquisadores resulte em novos projetos e oportunidades de formação. “Para nós pesquisadores, nos levou também a interagir com outros grupos de pesquisa que estão trabalhando também em temas semelhantes ao que a gente trabalha e deu possibilidades da gente desenvolver novos projetos conjuntos”, destaca Damaris Pinheiro.

A continuidade da cooperação entre as instituições deve ampliar as pesquisas sobre aerossóis, ozônio, queimadas e mudanças climáticas, além de fortalecer a formação de estudantes e a produção de dados sobre a atmosfera. Para a UFSM, a experiência da AMASS também reforça a atuação da universidade em pesquisas que conectam diferentes regiões da América do Sul e instituições de diferentes países

Texto: Matheus Bernardes, estudante de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias
Fotos: Acervo pessoal/Wagner Anabor
Edição: Lucas Casali e Ricardo Bonfanti, jornalistas

Chanzo
Universidade Federal de Santa Maria
Fungua asili ↗
Je, habari hii ilikuwa na manufaa?

Maoni 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Usisite kushiriki habari au data zinazoweza kuwa na manufaa.

Ili kushiriki katika mjadala, ingia au unda akaunti ya bure.