Os documentos foram revelados pelo ministro Alexandre de Moraes e encaminhados ao presidente da Corte, Edson Fachin. Moraes obteve a informação após solicitar à PF relatórios de inteligência que citassem ministros do Supremo e aponta indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça.
Mendonça teria tentado aumentar sua influência na Corte para interceder por uma anistia ampla aos condenados por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
De acordo com a PF, diferentes comportamentos de Mendonça nas investigações das quais é relator apontam essa intenção, como tratamento desigual a determinados réus e tentativa de enfraquecer atores políticos que eram mais combativos em relação ao 8 de Janeiro. Apesar disso, segundo os documentos, a suspeita é "integralmente inferencial".
A atitude de Alexandre de Moraes é parte de um embate maior com André Mendonça. A crise entre os ministros começou após Mendonça retirar, nesta semana, o sigilo da ação que apura uma troca de mensagens entre seu colega de Corte e Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, pouco antes da prisão deste.
Embora as mensagens de Moraes não tenham sido recuperadas, o contexto mostrou um grau de relação entre os dois, levando a questionamentos sobre o comportamento do ministro.
Também nesta semana, o portal ICL Notícias revelou um encontro ocorrido entre Mendonça e Vorcaro em março de 2025, na sede do Instituto Iter, em São Paulo, fundado pelo magistrado.
Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro uma única vez, por iniciativa do empresário, e disse que se limitou a ouvi-lo. Segundo o ministro, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, relacionada ao pagamento de precatórios de interesse do Master.
Fachin defende Código de Ética
Em meio aos embates entre os dois ministros do Supremo, o presidente do STF afirmou hoje (4), durante evento no Palácio do Planalto, que a atual crise reforça a urgência de três metas da sua gestão: adoção de um Código de Ética, encerramento do inquérito das Fake News e modernização do sistema de Justiça.
Fachin destacou que os fatos da "crise Master" estão em apuração e que nenhuma autoridade está acima da Constituição.
"A gravidade dos fatos não autoriza atalhos, ao contrário, quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo e as garantias constitucionais", declarou em discurso.


