Dia da Amazônia: Educação profissional ajuda a construir soluções para um futuro sustentável

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Por Thiago Almeida05/09/2026 às 12:004 visualizações
Projeto “Mãos à Horta”, Sinop. (Foto: Vinícius Mendes – AssCom CIPEM)
Projeto “Mãos à Horta”, Sinop. (Foto: Vinícius Mendes – AssCom CIPEM)
Instituto Federal de Mato Grosso

O futuro da Amazônia também passa pelas salas de aula, laboratórios, oficinas e projetos desenvolvidos no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT) transforma conhecimento em formação profissional e em soluções para desafios ambientais que fazem parte do cotidiano da região. A instituição está com inscrições abertas para Ingresso em 2027 nos cursos de Graduação e Técnico Subsequente (pós-Ensino Médio) no site seletivo.ifmt.edu.br.

Nos campi de Sinop, Juína, Confresa e Sorriso, localizados geograficamente na Amazônia Legal de Mato Grosso, as iniciativas envolvem energias renováveis, manejo florestal, recuperação de nascentes, produção de mudas nativas, compostagem, educação ambiental e pesquisa científica demostram como a educação profissional e tecnológica pode contribuir para um modelo de desenvolvimento que combine trabalho, inovação, conservação dos recursos naturais e qualidade de vida.

Energia Renovável

No Campus Sinop, a sustentabilidade encontra a educação profissional em uma área que vem ganhando espaço no mercado de trabalho: a transição energética. Por meio de cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) vinculados ao Programa EnergIFE, o IFMT prepara profissionais para atuar com tecnologias relacionadas às energias renováveis e à mobilidade elétrica.

Entre as formações estão os cursos de Instalador de Sistemas Fotovoltaicos e Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Carregamento de Veículos Elétricos. Essas formações aproximam os estudantes de setores estratégicos de uma economia de baixo carbono.

O conhecimento adquirido pode abrir novas oportunidades de trabalho ao mesmo tempo em que amplia, na região, a disponibilidade de profissionais preparados para acompanhar as transformações do setor energético.

No norte de Mato Grosso, onde atividades econômicas de grande importância convivem com a necessidade de conservação dos recursos naturais, formar profissionais para tecnologias sustentáveis significa preparar a região para novos caminhos de desenvolvimento.

Projeto “Mãos à Horta”, Sinop. (Foto: Vinícius Mendes – AssCom CIPEM)
Projeto “Mãos à Horta”, Sinop. (Foto: Vinícius Mendes – AssCom CIPEM)
Projeto “Mãos à Horta”, Sinop. (Foto: Vinícius Mendes – AssCom CIPEM)

Sustentabilidade

Ainda em Sinop, o projeto de ensino Mãos à Horta, coordenado pela professora Juliana Roriz, da área de Biologia, mostra que grandes transformações também podem começar com ações simples. Desenvolvido desde 2020, o projeto já passou pelas modalidades de extensão e pesquisa e, desde 2025, é desenvolvido como projeto de ensino. Entre suas atividades estão ações de sensibilização para o descarte seletivo de resíduos, compostagem e reaproveitamento de materiais.

Estudantes e comunidade acadêmica são convidados a refletir sobre o destino dos resíduos produzidos no dia a dia e sobre as possibilidades de transformar aquilo que seria descartado em novos recursos.

Durante as atividades alusivas ao Dia Mundial do Meio Ambiente, estudantes participaram da implantação de lixeiras seletivas e de ações de coleta e separação de resíduos. Também foram realizadas atividades de reutilização de materiais descartados para a produção de objetos decorativos.

A proposta é levar a sustentabilidade para além do discurso e transformá-la em experiência educativa, disse a professora Juliana.

Em agosto de 2026, o Boletim Informativo Mãos à Horta ampliou a discussão ao abordar o uso responsável da biotecnologia, a proteção dos recursos naturais e a conservação da natureza, aproximando ciência, tecnologia e responsabilidade socioambiental.

Preservação

Em Juína, a educação profissional está diretamente relacionada a um dos grandes desafios da Amazônia Legal: conciliar a utilização dos recursos florestais com a conservação ambiental.

O curso FIC de Identificador Florestal, ofertado pelo Campus do município em parceria com o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), capacita profissionais para a identificação botânica e anatômica de espécies arbóreas utilizadas no manejo. O Cipem é uma entidade que organiza e defende os interesses do setor de base florestal no estado de Mato Grosso

A formação contribui para aumentar a precisão na identificação das espécies e reduzir riscos de erros na classificação das madeiras. Na prática, profissionais mais qualificados podem contribuir para melhorar a rastreabilidade, agregar valor à cadeia produtiva e fortalecer a conformidade ambiental das atividades florestais.

É a educação profissional atuando onde o conhecimento técnico pode fazer diferença para a sustentabilidade de uma atividade econômica presente no território.

Recuperação

A preservação ambiental também passa pela água. Ainda em Juína, o IFMT participa do projeto de recuperação da bacia do Rio Perdido, desenvolvido em parceria com o Instituto Ambiental Rio Perdido (IARP) e a Prefeitura Municipal. As ações incluem construção de pequenas barragens, terraceamento em curvas de nível, proteção de nascentes e recomposição da vegetação ciliar.

As intervenções contribuem para reduzir o assoreamento, aumentar a infiltração de água no solo e melhorar a estabilidade do fluxo hídrico. O trabalho é especialmente relevante para o município, considerando a importância do rio para o abastecimento da população.

Transformação

No Campus Sorriso, pesquisadores também procuram respostas ambientais dentro da própria biodiversidade regional. É o caso do projeto BioIFLEX, que investiga a transformação de resíduos naturais em materiais com potencial para auxiliar no tratamento de contaminantes ambientais como o pesticida metomil, utilizado em larga escala na agricultura extensiva.

Uma das pesquisas utiliza o epicarpo da bocaiuva (nome cientifico: macaúba ou acrocomia aculeata), para produzir um material denominado hidrocarvão. O processo utiliza a chamada carbonização hidrotérmica.

A pesquisa está na etapa de avaliação e caracterização do material e conta com parceria acadêmica com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que viabiliza análises mais sofisticadas.

A iniciativa representa uma das possibilidades da ciência aplicada: olhar para um material pouco aproveitado, investigar suas propriedades e buscar novas formas de utilização que possam contribuir para enfrentar problemas ambientais.

Renovação

Ainda em Sorriso, o IFMT participa do Projeto Águas do Lira, iniciativa desenvolvida pelo Clube Amigos da Terra (CAT), com incentivo do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT).

O projeto atua na recuperação de nascentes degradadas na bacia do Rio Lira. O Campus Sorriso contribui com a produção de mudas nativas e com a elaboração de propostas para a restauração ecológica das áreas.

A parceria possibilitou a revitalização da estufa do campus, ampliando sua capacidade para aproximadamente 15 mil mudas nativas por ano. A estrutura conta com bancadas para tratamento das mudas e sistema de irrigação automatizado.

Cada muda produzida representa uma possibilidade de recomposição da vegetação e de recuperação dos ecossistemas. O trabalho também aproxima estudantes, pesquisadores e comunidade de uma agenda ambiental que ultrapassa os limites do campus.

Aula Inaugural do Curso de Agricultor Agroflorestal Apyãwa (Foto: Telma Aguiar – IFMT Confresa)
Aula Inaugural do Curso de Agricultor Agroflorestal Apyãwa (Foto: Telma Aguiar – IFMT Confresa)
Aula Inaugural do Curso de Agricultor Agroflorestal Apyãwa (Foto: Telma Aguiar – IFMT Confresa)

Ancestralidade

Outra importante iniciativa de desenvolvimento sustentável foi iniciada pelo campus Confresa (IFMT) que ampliou sua atuação junto aos povos indígenas com a oferta do curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) de Agricultor Agroflorestal Apyãwa, desenvolvido na Terra Indígena Urubu Branco, território do povo Tapirapé.

A ação congrega educação profissional, sustentabilidade e preservação ambiental. A aula inaugural foi realizada na última sexta-feira, 31 de agosto, e marcou o início de uma formação construída especialmente para atender às necessidades e às características da comunidade indígena. A iniciativa é desenvolvida como projeto de extensão e busca compartilhar conhecimentos e técnicas relacionadas à agricultura sustentável, contribuindo para o fortalecimento de práticas produtivas que respeitem o território e o equilíbrio ambiental.

A proposta também reconhece o papel dos agricultores Tapirapé como importantes agentes na proteção da biodiversidade e na conservação do bioma amazônico. Nesse contexto, a formação busca promover o diálogo entre os saberes tradicionais do povo Apyãwa e os conhecimentos científicos relacionados aos sistemas agroflorestais.

Desenvolvimento sustentável

As experiências desenvolvidas pelo IFMT revelam diferentes caminhos para um mesmo propósito: colocar a educação a serviço da transformação dos territórios. Ao ingressar em um dos cursos técnicos, de graduação ou pós-graduação, você garante ensino gratuito e de excelência, com acesso a projetos de pesquisa, extensão e oportunidades reais de internacionalização.

Venha fazer parte do IFMT! O Processo de Ingresso 2027/1 está com as inscrições abertas para cursos de Graduação e Técnico Subsequente (pós-Ensino Médio): CONFIRA AQUI OS EDITAIS ABERTOS, pelo portal oficial do IFMT e nas redes sociais do Campus de sua preferência.

Texto: Jones  Martinho – Decom-RTR
Colaboração: Ritielly Senigalia – Campus Sorriso; Luiz Pereira Junior – Campus Juína; Telma Aguiar – Confresa; e Juliana Roriz – Sinop.

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