Um grande debate nacional voltado à proteção de mulheres vítimas de violência foi realizado nessa quarta-feira, 2 de setembro, em todas as capitais brasileiras e 79 municípios do interior. O Dia C de Capacitação: Atendimento, Proteção e Perspectiva de Gênero na Segurança Pública ofereceu formação para pessoas que trabalham no atendimento à mulheres vítimas de violência para evitar que sejam revitimizadas durante ocorrências e investigações.
O encontro teve a participação de 7.712 pessoas em todo o Brasil. No Rio Grande do Sul, reuniu quase mil profissionais da segurança pública e da rede de proteção. O Dia C foi realizado na sede do Ministério Público (MPRS) e teve transmissão simultânea para 42 Promotorias de Justiça do interior do estado.
Na abertura, a subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Alessandra Moura Bastian da Cunha, destacou que o atendimento qualificado às vítimas de violência de gênero pode ser determinante para evitar feminicídios. “A forma como nos dirigimos à vítima pode ser decisiva para que ela desista ou mantenha a denúncia. Nós precisamos estar abertos a entender que o ciclo de violência tem um tempo e precisamos estar dispostos a ouvir. Nós podemos ter o melhor monitoramento, inúmeras patrulhas, mas é a qualidade humana do atendimento e do acolhimento que vai fazer a diferença. O desafio é estarmos dispostos a aprender”.
Segundo a coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do MPRS, Ivana Battaglin, ao capacitar profissionais para reconhecer as desigualdades de poder e as particularidades das violências de gênero, o Estado deixa de lado práticas marcadas por preconceitos e passa a oferecer um atendimento mais acolhedor, qualificado e voltado à avaliação de riscos. “O Dia C é uma demonstração muito concreta de algo que acreditamos profundamente no enfrentamento à violência contra as mulheres: nenhuma instituição consegue fazer esse trabalho sozinha. Nós precisamos construir respostas articuladas e em rede. É nesse momento que uma política nacional deixa de existir apenas no papel e passa a produzir proteção concreta”.
Já a coordenadora da Central de Acolhimento às Vítimas do MPRS (Espaço Bem-Me-Quer), Carla Frós, reforçou a importância do trabalho em rede na proteção de mulheres. “Facilita muito quando conhecemos a rede de proteção e sabemos para quem encaminhar determinado caso e quais providências tomar. Nenhum é igual ao outro. Cada situação vai exigir que acionemos algum integrante da rede. E é justamente essa atuação integrada que nós temos procurado fazer”.
A ação foi promovida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP), por meio do Comitê de Governança das Políticas de Segurança Pública voltadas à Prevenção e ao Enfrentamento da Violência contra Mulheres e Meninas (CGV-Mulheres). O evento contou com a parceria do Ministério das Mulheres, do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), da Comissão Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (COPEVID) e de todos os Ministérios Públicos estaduais, sendo desenvolvido pela Escola Nacional de Segurança Pública (ENSP/Senasp/MJSP).

























