A queda ocorreu principalmente após o país praticamente alcançar o limite estabelecido pela China para a entrada de carne bovina sem a cobrança de uma tarifa adicional de 55% no país — o governo chinês fixou em 1,106 milhão de toneladas a cota anual para essas importações.
Em 10 de agosto, o Ministério do Comércio da China informou ao governo brasileiro que 90% da cota já havia sido utilizada. A proximidade do teto levou exportadores a reduzir os embarques diante do risco de incidência da tarifa.
O Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) pontuou que a redução das exportações já era esperada diante da aproximação do limite chinês.
Apesar da retração em agosto, as exportações brasileiras de carne bovina mantêm resultado positivo no acumulado de 2026, com alta de 4,7% em volume e 22,3% em valor entre janeiro e agosto, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Proibição das exportações de carne para a União Europeia
Além da cota chinesa, o setor passou a enfrentar outro desafio neste mês, após a União Europeia iniciar a proibição de carne brasileira por descumprimento das normas de segurança sobre o uso de antimicrobianos nos animais.
Segundo a porta-voz para a saúde da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, a medida permanecerá em vigor enquanto o bloco aguarda garantias do Brasil sobre o cumprimento das normas sanitárias europeias. Em maio, o país foi retirado da lista de nações autorizadas a exportar para a UE.
De acordo com Hrncirova, as normas europeias proíbem o uso de antimicrobianos para crescimento e também os países da União Europeia não usam na pecuária antimicrobianos utilizados em humanos. "Confiamos plenamente no empenho do Brasil em resolver essa questão para que possamos retomar as importações o mais rápido possível", concluiu.
A UE é um importante parceiro comercial do Brasil. Em 2025, o país exportou US$ 1,8 bilhão (R$ 9,2 bilhões) em carnes bovina e de aves para os 27 países do bloco. Nesse ano, o Brasil foi o segundo maior exportador.


