Vorcaro repassou R$ 8,5 milhão para fundo ligado a 'Dark horse', mais do que o admitido por Flávio

01/09/2026 às 18:020 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez, em setembro de 2025, um repasse de US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,5 milhões na cotação da época), ao Havengate Development Fund, responsável por administrar os recursos do filme "Dark horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação consta em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtido pela revista piauí e divulgado nesta terça-feira (1º).
Com a nova parcela, diz a publicação, o total repassado por Vorcaro para o projeto teria passado de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, o equivalente a cerca de R$ 63,7 milhões em valores atuais.
O novo pagamento ocorreu oito dias depois de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter enviado uma mensagem a Vorcaro cobrando parcelas atrasadas. Até então, o candidato à Presidência afirmava que o último repasse do ex-banqueiro havia ocorrido em maio de 2025, meses antes de surgirem as suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.
As mensagens também apontam uma possível nova parcela. Em 22 de outubro de 2025, o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação de recursos, perguntou a Vorcaro se ele conseguiria "liberar as parcelas do filme". O ex-banqueiro confirmou o envio de uma nova remessa e pediu que Miranda apresentasse suas desculpas a Flávio pelos atrasos.
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Ainda não há confirmação de que esse terceiro pagamento de US$ 1,6 milhão tenha sido efetivamente realizado. Caso seja confirmado, o total desembolsado por Vorcaro para Dark Horse chegaria a aproximadamente US$ 14 milhões, ou R$ 72 milhões.
A Polícia Federal investiga se os recursos enviados pelo ex-banqueiro foram efetivamente utilizados no filme ou se parte do dinheiro teve outra finalidade. Uma das linhas da investigação apura a possibilidade de que os recursos tenham sido utilizados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. A PF também busca esclarecer se o dinheiro foi empregado em outras ações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump.
Os recursos eram enviados por meio do empresário Antônio Freixo Junior, conhecido como "Mineiro", e tinham como destino o Havengate Development Fund, administrado no Texas por Paulo Calixto, advogado especializado em imigração e apontado como amigo de Eduardo Bolsonaro. Posteriormente, os valores eram encaminhados à produtora do filme.
Flávio Bolsonaro voltou a defender nesta terça-feira que não houve irregularidade no financiamento de Dark Horse. Segundo o candidato, o aporte foi um patrocínio privado para uma produção privada e não envolveu qualquer contrapartida de autoridades públicas.
"Não tem absolutamente nada de errado em um patrocínio privado para um filme privado sobre o presidente Bolsonaro. Não houve nenhuma contrapartida por parte de qualquer autoridade pública."
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