Máquinas voltadas à agricultura familiar, alimentos produzidos no campo, ações de proteção das florestas, defesa da saúde e da vacinação públicas, Copa do Mundo Feminina e uma marcha contra a violência às mulheres dividiram espaço com blindados, mísseis, embarcações e aeronaves militares nesta segunda-feira (7), durante o desfile de Independência em Brasília. Do início ao fim da cerimônia, uma mensagem se repetiu em painéis, faixas, banners e veículos: “Soberania: a força que une o Brasil”.
Cerca de 4 mil pessoas, entre civis e militares, participaram do desfile na Esplanada dos Ministérios. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanhou a cerimônia ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
Das arquibancadas, parte do público gritou pelo fim da escala de trabalho 6×1, inclusive nas proximidades da tribuna das autoridades. Também houve manifestações de apoio a Lula e gritos de “sem anistia”.
O governo dividiu o desfile em três eixos: soberania nacional, enfrentamento à violência contra meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. A primeira parte teve predomínio civil e buscou apresentar a soberania para além da defesa militar.

Agricultura familiar, florestas e riquezas naturais
Estudantes carregando livros abriram espaço para representações de políticas de educação, saúde, esporte e produção de alimentos. O Zé Gotinha participou do desfile em referência à vacinação, enquanto integrantes do Programa de Atletas de Alto Rendimento também passaram pela Esplanada.
Um dos blocos deu destaque à agricultura familiar, setor que reúne cerca de 4 milhões de famílias no país, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Máquinas e equipamentos destinados aos pequenos produtores desfilaram acompanhados por referências à produção de alimentos, aos saberes e sabores tradicionais e à proteção dos biomas.
Alimentos dos estoques públicos e da agricultura familiar também foram levados à Esplanada. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou milho, arroz e leite em pó, além de 1,32 tonelada de hortaliças, frutas e outros produtos cultivados por agricultores familiares de Planaltina, no Distrito Federal. Depois do desfile, os alimentos foram destinados a Cozinhas Solidárias.
A proteção do patrimônio natural brasileiro ganhou espaço próprio. Representantes de órgãos ambientais, entre eles o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), participaram de uma ala dedicada à defesa das florestas, da biodiversidade e dos recursos naturais.
A locução do desfile também destacou a proteção dos minerais críticos e das terras raras, riquezas consideradas estratégicas para setores como eletrônica, transição energética e indústria de defesa e que estão no centro de uma disputa internacional pelo acesso a matérias-primas.
O tema já havia aparecido no pronunciamento de Lula na noite de domingo (6). Ao falar sobre soberania, o presidente citou as reservas brasileiras de terras raras, petróleo e água doce e defendeu que as riquezas naturais sejam usadas para gerar tecnologia, desenvolvimento e empregos no país.

“Essa luta também é dos homens”
Outro bloco foi aberto por uma faixa com a mensagem “Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres”. Segundo a locução oficial, 180 homens e mulheres de diferentes forças de segurança desfilaram de mãos dadas pela Esplanada.
O tema ganhou espaço no desfile em um ano marcado pela criação de um pacto nacional entre os Três Poderes para enfrentar o feminicídio e outras formas de violência de gênero.

A Copa do Mundo Feminina de 2027 também teve uma ala própria. Pioneiras da seleção brasileira que atuaram nas décadas de 1980 e 1990 desfilaram em carro aberto. Onze ex-jogadoras foram convidadas para a homenagem, entre elas atletas da geração que começou a representar o país poucos anos depois do fim da proibição legal da prática do futebol por mulheres, revogada em 1979.
Meninas ligadas a projetos esportivos também participaram da cerimônia, enquanto atletas fizeram apresentações ao longo da Esplanada. O Brasil receberá pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina, entre junho e julho de 2027.

Blindados, mísseis e aeronaves
Depois dos blocos civis e temáticos, o desfile assumiu o formato militar tradicional. Tropas da Marinha, do Exército e da Força Aérea passaram a pé pela Esplanada antes da apresentação de veículos e equipamentos das Forças Armadas.
O desfile motorizado reuniu cerca de 120 viaturas e 30 motocicletas. Blindados, sistemas de armamentos e mísseis passaram diante da tribuna, enquanto embarcações militares foram transportadas pela avenida. Aviões e helicópteros também sobrevoaram Brasília.

A demonstração de poderio militar ocupou a parte final da cerimônia, relacionando a capacidade de defesa das Forças Armadas ao mote de soberania que atravessou o desfile. Depois da passagem das tropas, veículos e aeronaves, a Esquadrilha da Fumaça encerrou a programação com manobras sobre a Esplanada dos Ministérios.

