O pulsar jovem PSR J1637−4642, que nunca havia apresentado falhas desde sua descoberta, revelou três glitches após a análise de 15 anos de observações feitas com o radiotelescópio de Parkes, segundo estudo liderado por Zhaoyi Wang.
Pulsares são estrelas de nêutrons que giram rapidamente e emitem pulsos regulares de rádio. Alguns deles sofrem aumentos súbitos na rotação — os glitches — fenômenos comuns em pulsares jovens e ainda pouco compreendidos, embora associados à dinâmica do superfluido interno.
Com cerca de 41 mil anos, o PSR J1637−4642 é extremamente jovem e gira a cada 154 milissegundos. Apesar disso, permaneceu estável por mais de uma década, sem qualquer sinal de falha, até que a nova análise revelou três eventos distintos.
O primeiro glitch, ocorrido por volta de 2018, foi o mais intenso: a rotação aumentou cerca de 17,54 microhertz, equivalente a 2,7 partes por milhão. O segundo, três anos depois, foi muito menor, com apenas 14 nanohertz de variação. O terceiro, cerca de 2,7 anos após o segundo, teve intensidade intermediária, com 179 nanohertz.
A equipe destaca que o pulsar agora integra a classe de objetos jovens que exibem grandes glitches após longos períodos de silêncio. O comportamento pós‑glitch mostrou que parte da alteração na rotação relaxou gradualmente, permitindo estimar que cerca de 1,9% do momento de inércia da estrela está ligado ao superfluido da crosta interna.
Esse relaxamento, com escala de tempo de aproximadamente 102 dias, reforça o modelo segundo o qual glitches resultam da transferência abrupta de momento angular do superfluido interno para a crosta sólida, que então acelera temporariamente sua rotação.
Os autores concluem que até pulsares considerados "quietos" podem esconder tensões internas acumuladas por anos antes de liberar energia em glitches significativos, revelando processos profundos da física extrema das estrelas de neutrons.


