Ex-marqueteiro e amigo de Flávio Bolsonaro é o terceiro maior doador do filme Dark Horse, aponta PF

10/09/2026 às 19:230 visualizações
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro
Brasil de Fato

O ex-marqueteiro e amigo do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) é o terceiro maior doador do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado. Segundo a Polícia Federal, Marcello de Oliveira Lopes fez um repasse de R$ 1 milhão para a produtora Go Up Entertainment.

Relatório do Conselho de Atividade Financeira (Coaf) entregue à PF aponta “movimentações consideradas atípicas” nas contas correntes da empresa produtora de Dark Horse, entre novembro de 2025 e dezembro de 2025. Entre essas transações está o repasse de Lopes, que deixou a coordenação de comunicação da campanha de Flávio em maio deste ano.

O documento é parte do embasamento da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a operação “Make Up”, deflagrada na manhã desta quinta-feira (10).

A operação teve como principal alvo Karina Gama, produtora do filme, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Duas entidades de propriedade de Karina também foram alvos de buscas de agentes da PF: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

De acordo com o relatório do Coaf, a produtora Go Up Entertainment movimentou R$ 19 milhões no período em que o filme estava sendo produzido. Entre os principais repasses estão Marcello e o deputado Mario Frias.

“Figuram, dentre os principais remetentes de recursos para a empresa, a Moneycorp Banco de Câmbio S.A., que enviou R$ 3.920.976,40; a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eireli, com R$ 2.614.000; Marcello de Oliveira Lopes, que enviou R$ 1 milhão; a NTT Brasil Ltda., que enviou R$ 750 mil; e o deputado federal Mario Frias, que realizou transferências no valor de R$ 645.400”, diz o relatório da PF.

Lopes também consta como um dos estrategistas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no plano de ataques coordenados contra o Banco Central e servidores.

O nome e a foto dele aparecem num documento em que são apresentados os três membros da “equipe de estrategistas” do plano de Vorcaro e teria recebido R$ 650 mil. Lopes negou envolvimento na campanha contra o Banco Central e justificou o repasse de dinheiro como pagamento de serviços anteriores.

O próprio Vorcaro repassou R$ 60 milhões para a produção do filme Dark Horse, por pedido direto de Flávio Bolsonaro. O senador e candidato a presidente havia pedido R$ 134 milhões. Esse repasse também é objeto de investigação da Polícia Federal.

A investigação apura o suposto direcionamento e desvio de verbas públicas oriundas de emendas parlamentares repassadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) para financiar o longa-metragem sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Levantamentos dos órgãos de controle apontam suspeitas de repasses irregulares e movimentações financeiras atípicas entre as empresas investigadas.

A retirada do sigilo ocorre em meio a cobranças de entidades e do Partido dos Trabalhadores (PT) por transparência nas investigações relacionadas ao financiamento da obra audiovisual e a conexões financeiras sob apuração no STF.

Fonte
Brasil de Fato
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