"O Irã é a Stalingrado da nossa época, a Stalingrado do Sul Global, porque essa guerra mudou o mundo e vai mudar não só a política regional, mas a geopolítica global. E o Irã, evidentemente, também, graças a essa guerra, pela primeira vez na história, fez algo que também se cogitava e que o Irã também não sabia se era capaz de fazer ou não, que foi o fechamento do estreito de Ormuz", disse.
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"Os países do golfo [Pérsico] passaram pelo menos 40 anos pagando bilhões de dólares aos EUA para garantir a sua segurança. Tanto com venda de equipamentos quanto com todas as suas bases. O que essa guerra provou é que os EUA não têm a capacidade e talvez nem o interesse de defender os países da região", comenta.
Economia estatal fortalece o país apesar de sanções
"O Irã nunca deixou de ter plano quinquenal, então isso é uma coisa já cultural. O que aconteceu, em parte por conta das sanções, foi que cada vez mais o Estado iraniano assumiu uma série de setores importantes da economia. O Irã hoje, provavelmente, está na lista dos países do mundo onde o Estado tem mais influência e comando sobre a economia, mais até do que a China", destaca.
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"Entre 80% e 90% do petróleo iraniano vai para a China, com um ótimo desconto, aliás. O programa nuclear iraniano tem muito de cooperação com a Rússia. Há também toda uma questão logística [no Irã], que é estratégica hoje para a geopolítica e para o futuro econômico do Sul Global, que é a construção de rotas econômicas alternativas às rotas oceânicas controladas pelos Estados Unidos", observa.
Religião é a 'liga' da coesão entre Estado e sociedade
"Para o xiita, há dois caminhos possíveis diante da opressão, ou se luta e a justiça prevalece, ou se luta e é massacrado, virando mártir. mas, nos dois casos, ele sai vitorioso. Como é que se faz uma guerra com um povo que pensa que não há derrota? Esse país, essa sociedade, é praticamente indestrutível. Eu acho que é isso que nós estamos vendo no Irã nos últimos meses", conclui.
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