Após passar na CCJ, só depende de Davi Alcolumbre pautar fim da escala 6×1, diz coordenador das Centrais Sindicais

Por Afonso Bezerra02/09/2026 às 17:163 visualizações
Ato pelo fim da escala 6x1 em São Paulo contou com ampla representatividade de movimentos populares e centrais sindicais
Ato pelo fim da escala 6x1 em São Paulo contou com ampla representatividade de movimentos populares e centrais sindicais
Brasil de Fato

O fim da escala 6×1 deve ser levado ao plenário do Senado na tarde desta quarta-feira (2), após passar pela apreciação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A redução da jornada é uma das principais bandeiras do governo federal e, por causa disso, as últimas semanas ficaram marcadas por articulações de Lula, com o apoio da base aliada, junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para passar a matéria já aprovada com ampla maioria na Câmara dos Deputados.

A proposta prevê a adoção da escala 5×2 e a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), aposta na ampla maioria pela aprovação e quer acelerar a tramitação no plenário.

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, avalia que a tendência é que a CCJ, que avalia a constitucionalidade do projeto, aprove a proposta e que o desafio é garantir o quórum. Lúcio pondera que o PL, legenda contrária ao fim da escala 6×1, tem feito um trabalho para desmobilizar os senadores.

“Nós temos três etapas: a etapa de garantir a CCJ e depois garantir que o senador Alcolumbre coloque o tema em votação no plenário do Senado, e aí são duas votações: uma primeira, tem o intervalo e vota-se pela segunda vez, confirmando o voto da primeira etapa para que a PEC seja aprovada no Senado”, explica.

Clemente Ganz Lúcio reforça que, passada a fase da CCJ, a decisão fica nas mãos do presidente do Senado. “Só depende do presidente Alcolumbre. Ele não manifestou formalmente qual será sua decisão, embora tenha falado a interlocutores que só pautaria após as eleições”, afirma.

O coordenador ressaltou que, caso o cenário não seja positivo, é muito importante que, após as eleições, as mobilizações populares continuem para pressionar o Congresso.

Segundo ele, existe uma pressão grande do empresariado e dos setores conservadores para a não redução da jornada, alegando o aumento de custos. Clemente Ganz Lúcio explica que, sim, por um lado, inicialmente, haverá um pequeno aumento. Contudo, a conta não deve ser considerada apenas dessa maneira, já que, no médio e longo prazo, haverá, na verdade, redução de custos. “Haverá uma compensação com aumento de produtividade. A empresa produz mais; se produz mais, vende mais e tem mais retorno. A redução da jornada diminui falta, diminui adoecimento, diminui conflitos no âmbito do trabalho. Tudo isso com um grande impacto na redução de custo para as empresas”, avalia.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h25 às 8h25 da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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