Em meio a velório de 62 crianças em Gaza, cresce pressão internacional contra Israel

06/09/2026 às 19:182 visualizações
População palestina se reúne para velar 100 corpos resgatados de escombros em Gaza
População palestina se reúne para velar 100 corpos resgatados de escombros em Gaza
Brasil de Fato

Neste domingo (6), palestinos realizam um velório em massa de 100 pessoas em Gaza, sendo 62 crianças. Os corpos foram recentemente encontrados em meio aos escombros devido a ataques recentes de Israel. Mais de 73 mil pessoas já foram mortas desde outubro de 2023, quando os ataques de Israel à Palestina ficaram mais intensos.

Neste mesmo dia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou a retirada de assentamentos israelenses que o próprio país considera irregulares na Cisjordânia, mas não estabeleceu prazo para que isso ocorra. O pronunciamento ocorre um dia após o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, em visita à Cisjordânia – território palestino ocupado por Israel –, afirmar que não existe nenhum plano israelense para deslocar a população de Gaza.

Ainda neste domingo, ministros das Relações Exteriores de oito países muçulmanos fizeram um pronunciamento conjunto em que condenam o plano de deslocamento forçado apresentado por Israel. Na última semana, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, anunciou a expulsão de 250 mil palestinos em 12 meses. Já os dois milhões de habitantes do território palestino seriam retirados em até seis anos.

Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Catar, Paquistão, Indonésia e Turquia endossaram a postura dos Estados Unidos e disseram que as ações de Israel estão impedindo a efetivação do plano de paz firmado em outubro de 2025.

Relatório de agência da ONU

Em 16 de agosto, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), criada em 1949 para prestar ajuda humanitária ao povo palestino, divulgou um relatório sobre a situação de saúde em Gaza. Até junho de 2026, apenas 19 hospitais permaneciam parcialmente operacionais, com cerca de 2,2 mil leitos e apenas 107 de UTI para uma população superior a dois milhões de pessoas. A estrutura remanescente busca atender mais de 172,4 mil feridos, dos quais aproximadamente um quarto sofreu sequelas graves e permanentes, como amputações e lesões neurológicas. Mesmo após o cessar-fogo, restrições à entrada de materiais impedem a recuperação da capacidade hospitalar.

Segundo o documento, a crise também é resultado de ataques à infraestrutura e à força de trabalho da saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou 971 ataques contra serviços de saúde entre outubro de 2023 e junho de 2026, afetando ao menos 804 instalações médicas e inutilizando 268 ambulâncias. Mais de 1,7 mil profissionais de saúde foram mortos ou feridos. A escassez de medicamentos, equipamentos e combustível agrava o quadro: o relatório afirma que 97% das instalações enfrentam falta de equipamentos médicos e mais de 80% sofrem com escassez crítica de medicamentos.

O impacto ultrapassa o atendimento hospitalar e se traduz em mortes evitáveis, doenças e agravamento da vulnerabilidade social. O relatório atribui à demora na saída de Gaza a morte de pelo menos 1.268 pacientes com câncer até janeiro de 2026 e de outros 300 pacientes graves após o cessar-fogo. A deterioração do saneamento e a superlotação favoreceram surtos de poliomielite, meningite e outras doenças, enquanto a insegurança alimentar atinge mais de 70% das crianças menores de dois anos. Entre gestantes e recém-nascidos, o colapso da assistência materno-infantil eleva ainda mais os riscos.

Fonte
Brasil de Fato
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