‘Doa a quem doer’: Lula defende investigação no caso Master e diz que país não pode ‘ficar refém’ de vazamentos seletivos — Insubornavel

‘Doa a quem doer’: Lula defende investigação no caso Master e diz que país não pode ‘ficar refém’ de vazamentos seletivos

04/09/2026 às 10:498 visualizações
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
Brasil de Fato

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (3) que todas as pessoas envolvidas no caso Banco Master sejam investigadas, independentemente dos cargos que ocupem. Em sua primeira manifestação sobre a crise provocada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelas novas revelações do caso, Lula também criticou “vazamentos seletivos” das investigações.

“É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, afirmou o presidente em vídeo divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência.

Lula classificou o escândalo envolvendo o Banco Master como “o maior roubo da história do Brasil” e destacou as relações mantidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com pessoas em posições de poder.

“O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, declarou.

Sem mencionar diretamente os ministros envolvidos nas revelações dos últimos dias, Lula cobrou uma resposta institucional do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, disse. Para o presidente, “só agindo com firmeza e transparência” será possível garantir o respeito da sociedade às instituições.

Novas revelações

A manifestação ocorre em meio a novas informações sobre as relações de Vorcaro com integrantes do Judiciário. Um relatório da Polícia Federal (PF), que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, aponta que mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro tinham como destinatário o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo os investigadores, os diálogos indicam proximidade entre Vorcaro e Moraes e incluem consultas relacionadas a operações policiais e agendas de encontros. A PF também identificou a edição digital de minutas contratuais do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com o Banco Master.

A PGR considerou nulo o procedimento relacionado ao documento, sob o argumento de que investigações envolvendo ministros da Corte devem ser solicitadas pela PF ou pelo Ministério Público e autorizadas pelo plenário do STF.

As revelações também colocaram sob escrutínio um encontro entre Vorcaro e André Mendonça, ocorrido em março de 2025.

Moraes, por sua vez, pediu ao presidente do Supremo, Edson Fachin, a abertura de investigação contra André Mendonça. O ministro apontou supostos indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a grupos políticos na condução dos casos Master e INSS.

Fachin determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem informações em até cinco dias úteis sobre os episódios que desencadearam a crise.

Nos últimos dias, Lula conversou separadamente com Fachin e com o ministro Gilmar Mendes sobre a crise no Supremo.

Reformas no sistema político e no Judiciário

No pronunciamento, Lula foi além do caso Master e afirmou que a crise evidencia a necessidade de mudanças institucionais.

“A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que nossos sistemas político e judiciário precisam de reformas profundas”, disse.

O presidente também cobrou responsabilidade de quem ocupa cargos públicos. “É chegada a hora que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual”, afirmou.

Fonte
Brasil de Fato
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