O presidente russo, Vladimir Putin, discursou nesta quinta-feira (3) na sessão plenária do Fórum Econômico Oriental, realizado na cidade russa de Vladivostok, que acontece entre 1º e 4 de setembro. Ele falou sobre a autal situação da guerra na Ucrânia, rechaçando rumores de uma nova convocação de tropas.
De acordo com o chefe de Estado russo, “existe uma chance de resolução do conflito na Ucrânia“, mas, segundo ele, as iniciativas de paz são complicadas pelo “terrorismo de Estado” por parte da Ucrânia e seus aliados ocidentais, se referindo às ameaças do presidente Volodymyr Zelensky de “bloquear o espaço aéreo russo” a partir dos ataques de drones.
“Ataques contra navios mercantes civis e […] ameaças de ataques a aeronaves civis. Isso, é claro, é uma manifestação de terrorismo de Estado. E isso, sem dúvida, complica a possibilidade de realizar negociações bilaterais de paz”, acrescentou.
Putin também destacou que a Rússia e a Ucrânia precisam chegar a um acordo entre si, e os demais países só podem apoiar e prestar assistência.
“A Rússia e a Ucrânia precisam chegar a um acordo entre si, antes de mais nada. E todos os outros países estão prontos para apoiar e prestar assistência. E não apenas os Estados Unidos, mas também os países aqui presentes. Somos gratos a todos que estão tentando contribuir para a resolução desta questão. Há uma chance? Na minha opinião, sim, há”, afirmou.
O presidente russo disse também que os contatos entre Moscou e Kiev continuam, principalmente por meio dos serviços de inteligência.
“É difícil para mim dizer agora em que medida eles [os contatos] estão levando a um acordo de paz, dadas as declarações que ouvimos recentemente de altos funcionários da Ucrânia. Mas os contatos existem e continuam de forma contínua, principalmente por meio dos serviços de inteligência”, esclareceu.
Da mesma forma, Putin afirmou que os contatos da Rússia com o governo dos EUA continuam e disse esperar que uma restauração das relações entre Moscou e Washington. “Apoiamos a restauração completa das relações com os Estados Unidos, mas isso não depende apenas de nós; depende também dos americanos”, completou.
Putin volta a rechaçar rumores de ‘mobilização’
O presidente russo voltou a comentar as especulações de que o país estivesse preparando uma nova onda recrutamento de civis para lutar na guerra da Ucrânia.
Na última quarta-feira (2), Putin falou pela primeira vez sobre os rumores que, segundo uma série de publicações na mídia, poderia acontecer após as eleições parlamentares da Duma estatal (câmara baixa do Parlamento russo), em setembro.
Ao voltar a comentar o tema nesta quinta-feira, Putin disse que “não existe cenário que justifique uma mobilização” e que trata-se de uma “operação de informação” para desestabilizar o curso da guerra.
“Não existe nenhum cenário hoje que justifique a mobilização. Trata-se de um ataque de informação do inimigo às vésperas das eleições para a Duma Estatal, uma tentativa de influenciar o resultado. É simplesmente uma operação de informação planejada”, completou o presidente russo.
A Rússia anunciou a primeira onda de uma mobilização de civis para o conflito em 21 de setembro de 2022. O decreto sobre o que o Kremlin chamou na época de “mobilização parcial” não foi revogado e continua em vigor.
