Em coletiva de imprensa voltada à mídia internacional em São Paulo (SP), nesta quinta-feira (3), o presidenciável Renan Santos (Missão) afirmou que as sanções e tarifas impostas pela Casa Branca empurram o Brasil para a esfera de influência de Pequim e Moscou.
"E vamos ser sinceros: hoje em dia a China, no curto prazo, é um parceiro melhor do que os Estados Unidos. […] É mais fácil lidar com o chinês do que com o norte-americano."
Segundo ele, Washington se diminuiu no cenário global ao usar tarifas como arma econômica e ao tratar seus parceiros históricos, como Brasília, de maneira "humilhante" — no caso do Brasil, é uma estratégia míope, uma vez que dependerá das terras raras brasileiras nos próximos anos.
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© Sputnik Brasil / Guilherme Correia
Ele defendeu, ainda, que o país utilize suas reservas de terras raras e seu potencial de energia renovável para data centers como barganha estratégica em negociações globais.
Também afirmou que o objetivo de sua candidatura é colocar o Brasil entre as nações mais influentes do mundo, citando potências com grande poder de dissuasão militar como parâmetro.
"Isso não significa um dos cinco maiores PIBs, mas, sim, estar entre as nações mais poderosas. A Rússia não tem um dos cinco maiores PIBs do mundo, mas é uma das nações mais importantes do mundo. Ponto. O Brasil tem que ser uma dessas nações", argumentou.
Como parte dessa estratégia de soberania, o postulante à Presidência propôs "evoluir o Exército brasileiro e até mesmo desenvolver armamentos nucleares".
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Crise do STF
O candidato também comentou temas da esfera doméstica e disse que seu eventual governo adotará uma postura de não reconhecimento e desobediência a decisões emitidas pelos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O postulante classificou a Suprema Corte brasileira como uma "banca de negócios".
Santos justificou a medida afirmando que o STF perdeu a legitimidade e o papel de controle constitucional devido a escândalos de corrupção e interferências do setor financeiro no processo eleitoral.
"Nós não vamos reconhecer nenhuma decisão que venha do ministro Moraes. Um governo sério e republicano não pode aceitar que a Suprema Corte seja um lugar para defender bandidos. Para ter legitimidade, o STF precisa expurgar Alexandre de Moraes e Dias Toffoli", declarou, acrescentando que seu grupo político ingressou com dois pedidos de impeachment contra os magistrados no Senado.
Críticas ao eleitorado e à 'terceira via'
Questionado sobre pesquisas de intenção de voto que mostram seu nome com 4% das preferências, atrás de Augusto Cury (Avante), que soma cerca de 10% na disputa pela chamada "terceira via", o candidato do Missão desdenhou do crescimento do adversário:
"Não me importo de verdade com o crescimento do senhor Augusto Cury, porque é um crescimento que está acontecendo entre eleitores que são despolitizados."
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Santos reiterou declarações críticas aos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e cobrou responsabilidade do público pelo cenário político do país. "O eleitor que ideologicamente votou em um governo que, em essência, é corrupto é corresponsável pelo que está acontecendo."
"Aqui no Brasil se aceita a ideia de que o eleitor precisa ser bajulado. O eleitor tem que ser provocado e responsabilizado por suas escolhas", disse.


