É preciso discutir segurança pública além da lógica punitivista, afirma coordenadora da Rede de Justiça Criminal — Insubornavel

É preciso discutir segurança pública além da lógica punitivista, afirma coordenadora da Rede de Justiça Criminal

Von Gabriela Carvalho04/09/2026 às 23:003 Aufrufe
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Brasil de Fato

Nas eleições de 2026, as mulheres representam 51,5% do eleitorado e a segurança aparece como uma demanda que atravessa diferentes perfis de eleitoras. Pensando nisso, a campanha “Vote Segura”, da Rede Justiça Criminal, reúne propostas para orientar esse debate.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Janine Salles de Carvalho, coordenadora executiva da Rede Justiça Criminal, explica que a iniciativa partiu da evidência de que segurança pública é a principal preocupação do eleitorado, segundo pesquisas, aliada ao debate da violência de gênero, que tem aumentado bastante — assim como provam as estatísticas — nos últimos meses. “A Rede de Justiça Criminal é uma rede de organizações que acompanha o processo legislativo, então, a gente também acompanha o quanto o processo legislativo e as propostas que são apresentadas cotidianamente ali no Congresso não dão conta do problema. Acho que são essas as duas vertentes principais dessa campanha: segurança pública e o voto feminino, que está sendo tão disputado e ligado muito a esse debate da violência que a gente vem acompanhando nos últimos tempos”, afirma.

A principal inquietação, segundo Carvalho, era justamente levar o debate para além da lógica punitivista. Ela observa que a maioria das propostas ligadas ao tema foca em depois que a violência já aconteceu e não trabalha a prevenção. “A gente tem poucas propostas, por exemplo, no sentido de fortalecer uma rede de atendimento, de fortalecer uma rede de proteção, focar em educação social também. A gente tem visto também uma ascensão muito grande de discursos que atacam muito as mulheres. A gente também tem uma pouca preocupação com o acolhimento em casos de violência também”, argumenta.

A especialista também questiona se o próprio braço armado do Estado está preparado para lidar com isso. “A polícia está preparada nesse sentido? Se uma mulher, por exemplo, passa por uma situação, um contexto de violência, como é que ela sai desse contexto? Ela tem instrumentos para isso?”, questiona.

Janine Salles de Carvalho também fala sobre as políticas de armamento da população como fator de risco no contexto de violência contra a mulher. “Se você tem uma arma, o cenário está armado para que aconteça uma fatalidade. Fora isso, a gente também tem acompanhado tentativas incessantes de flexibilização na posse, na circulação de armas na sociedade, que deixa a sociedade violenta como um todo. Nesse caso específico, acho que fomenta ainda mais casos de feminicídio, de violência doméstica”, avalia.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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