Brasil se forjou país em cima de luta, muito além do 7 de setembro, afirma historiador

Por José Bernardes07/09/2026 às 18:132 visualizações
Quadro "Independência ou Morte", de Pedro Américo
Quadro "Independência ou Morte", de Pedro Américo
Brasil de Fato

No dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I proclamava oficialmente a Independência do Brasil às margens do Ipiranga, como é retratado em livros de História e em quadros como Independência ou Morte!, de Pedro Américo. O processo de independência do país foi construído sob pressão das elites que queriam se desvincular de Portugal, que, por sua vez, fez uma manobra para que pouca coisa mudasse, mantendo, por exemplo, a escravidão.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, David Ribeiro, historiador no Museu Paulista-USP, avalia que é importante refletir sobre como a historiografia e mesmo o olhar que se consolidou sobre a Independência construíram a ideia de que o processo de libertação do país teria se encerrado no 7 de setembro. “Apesar de muita gente querer construir essa ideia de uma independência pacífica que aconteceu sem sobressaltos, muita coisa aconteceu de norte a sul das províncias. E acho que é interessante pensar o quanto esses sujeitos todos construíram e seguem construindo a Independência do Brasil não só em 1822, como antes e depois”, afirma.

O historiador observa que existe uma tentativa de apagamento do que foi o processo da Independência do Brasil, a última nação a abolir a escravidão. “Durante quase todo o período monárquico, a gente vê um país que vai se forjando em cima de um conflito, em cima de muita luta. Claro que muitas das lutas de elite, mas também muitas demandas que vão aparecendo e buscam reorientar essa nação a partir de paradigmas que fossem menos excludentes, ainda que sob o Império. Até 1888, o Brasil permanece como uma nação escravista”, destaca.

David Ribeiro menciona o processo de independência da Bahia, um ano depois, em 2 de julho de 1823, que teve como figura de referência Maria Quitéria. Para ele, ocorre um processo de “sudestização” da história, ao ignorar o peso de lutas como essa.

“O que de fato consolida esse processo de expulsão dos portugueses e de resistência ao retorno de um estado anterior são as lutas de independência como a da Bahia”. O historiador também destaca o caráter combativo dessas revoltas, muito diferentes da Independência oficial, pacífica. “É ali que esse processo não se encerra, mas se consolida. É pela liderança dessa população local, formada por pessoas comuns, que vai consolidar a Independência do brasil”, ressalta o historiador.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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